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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Biografia de Alberto Cuddel

:
Alberto Cuddel, pseudónimo de António Alberto Teixeira de Sousa nascido a 14 de Janeiro de 1973, no concelho de Baião, na margem norte do rio Douro, cedo rumou ao litoral no concelho de Vila do Conde, estudou até ao 12º Ano. Casou em 1995 tendo ir residir para o concelho da Maia, local onde permaneceu até 2008. Rumou à área metropolitana de Lisboa, onde atualmente reside, na Castanheira do Ribatejo no concelho de Vila Franca de Xira.
Começou a escrever poesia em 1993 sem nunca ter editado qualquer obra própria, já participou em algumas antologias, escreve essencialmente sobre o amor, as desilusões da vida, o quotidiano do sofrimento humano. Tem na sua cara-metade a fonte da inspiração. Cada momento da vida é um poema, com toda a carga emocional que isso acarreta, mas não sabe viver de outra forma.

Bibliografia:
Participação nas Antologias:
Os Poetas d’Hoje volume II
O Som dos Poetas
A Lagoa e a Poesia
Um grito contra a pobreza
Palavras de Veludo
Quando O Amor é cego
Lugares e palavras de Natal
Contas-me uma Historia?

Blogs:
http://escritanoface.blogspot.pt

Com participação em:

http://www.diariodosescritores.blogspot.com.br

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Escolhi Amar-te XLII



No tempo, encontramo-nos num qualquer vão de escada perdido na memória, num diálogo surdo do silêncio do nosso olhar. Existem dias, existem noites que eu, que tu, como tantos eles, esquecemos que o amor, o ato decisório de amar dura apenas um dia e uma noite, nem mais, nem menos. Quero amar-te também em mim, recorda-me, acorda-me de mim próprio, das distrações egoístas onde tantas vezes me perco de ti. Lembra-me de te amar pelo menos até amanhã.

Quando ridiculamente penso o amor, em como te escrevo e inscrevo no verbo amar, sei que sou, amplamente e conscientemente ridículo, nas cartas que te escrevi, nas cartas que te escrevo, sei que sou e amo verdadeiramente ser ridículo, como ridículos são os que desistem conscientemente de amar. Vejo-me ridículo, mas não tão ridículo como os que fingem acreditar, que o amor nasce de uma paixão, assoberbada pelo efeito físico das dopaminas e endorfinas libertadas, pela paixão…

Escolher amar-te tantas vezes significa um ato egoísta de encontrar em ti partes de mim que eu próprio desconhecia. Amar-te tantas vezes significa doar-me de tal forma intensa que em mim apenas te encontro a ti.

Escolher amar-te é em si uma profunda blasfémia ao amor divino, é amar a Deus pela obra criada, pela perfeição do amor com que te criou, no narcisismo de crer, que Ele criou-te para que apenas eu pudesse escolher Amar.
Alberto Cuddel®

domingo, 6 de março de 2016

Alberto Cuddel

“Fecho os olhos…
E vejo um instante
do amanhã que me aguarda…”
 
Elevo-me nas asas de uma garça,
planície espraiada no teu olhar,
tomas-me pela mão, conduzes-me segura,
ao sonho, que em ti deposito
no meu sono em ti.
No leve piscar das pálpebras pesadas,
pela responsabilidade do sentido
da água corrente, que nos alimenta
o prado do amor que nos congrega,
no florescer primaveril,
encontro o futuro
do mundo a construir
nas nossas mãos.
 
Fecho os olhos…
atreve-te a sonhar o futuro em mim,
pela ação que me molda,
tornar-me homem,
pela criação da mãe,
atreve-te a alternar a balança do bem,
do mal, faz-me ser ação do teu querer.
 
E vejo um instante
do amanhã que me aguarda…
sonho nas palavra que almejo escrever,
a mudança no teu olhar,
tu que à praia chegas
com as mãos cheias de nada,
coração ávido
de uma segurança infinita,
na base de um nordestino arco-íris
de esperança, junta-te a mim em sonho,
sejamos ação sonâmbula,
de um mundo melhor!
 
Alberto Cuddel

domingo, 29 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - 100 (cl) sentimentos destilados na alma!

Sangue da alma escorrendo no rosto,
filhos em pranto por alimento materno
conjugação imperfeita, sonho proposto
interno sentir, sofrido manifesto externo.
 
Irrigado querer, antídoto, inflamada alma
lágrimas nunca choradas, dor, angústias
choro lágrimas a rir, aquando choro a calma
paixão no filho do homem, escorridas hóstias.
 
Lágrimas caídas, dentro, oculto lado errado
águas caídas, manso adeus meu ser infeliz
enxugadas no ermo querer erro perdoado.
 
-quentes, silenciosas... ardentes na dor
fonte na vida gerada, num ontem – feliz
olhos marejados de lágrimas,  ainda Amor.

Alberto Cuddel®

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Alberto Cuddel - Reclamações Matutinas





Reclamações matutinas

Acordas ao toque do irritante despertador
Reclamas da hora, do cansaço, do acordar
Reclamas, mas tens certamente empregador
Reclamas do pequeno-almoço a mastigar
Mas certamente tens ainda o que comer
E reclamas de tudo mesmo o sem saber
Que o que custa não é reclamar, mas viver!

És, como todos insatisfeito,
É isso homem é teu por direito,
Perseguimos uma outra vontade
Não sabendo ao certo o que de verdade,
Talvez uma utópica felicidade?

E tantos sem nada sobre o que reclamar,
Por nada terem a sonhar…

Reclamas, mas o que custa não é reclamar
O que nos custa a nós na nossa humanidade,
Não é reclamar, mas saber o que podemos fazer!

Alberto Cuddel
#LivrodeReclamacoes

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Felicidade


Felicidade
busca encanto satisfatório
insatisfeito humano ser
divino almeja poder
realizado, posso, quero, tenho,
no final apenas basta – Eu Sou!
Alberto Cuddel®
 
 
 
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Ocaso

 

O Sol esvai-se lentamente
sôfrego sofrimento do fim do dia
calam-se as silenciosas palavras
fecham-se as portas do tempo
abandonam silenciosamente
vida corrida, vagarosamente
são, existem, no tempo
um do outro, realizam
poesia plena, sentir absoluto!...
 
Alberto Cuddel®
 
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Escolhi Amar-te XLVI



Ao segundo olhar, nossos corpos estremeceram no louco desejo erótico de nos unirmos, no mais animalesco ato de fidelidade sincronizada, dando forma, eliminando as barreiras da linguagem, falando no silêncio dos gemidos do amor. Não somos maníacos, mas a verdade exposta do nosso sentir é que nos desejávamos amar um no outro antes mesmo de nos conhecermos.

O desejo envergonhado desenhado no rubor nos nossos rostos adolescentes, as mãos húmidas do nervosismo, um primeiro beijo em ti, senti, não vi, não viste, apenas o sentimos, na alma, no estremecer dos nossos inocentes corpos…

Encontramo-nos todos os dias no movimento ardente da palavra escrita, no desejo consumado na ponta da caneta em brasa que se arrastava no papel, depósito de sonhos, devaneios eróticos do nosso amor sonhado e confirmado a dois, nas respostas e contra-respostas, da sedução do perfume do papel…

Para finalmente nos encontrarmos, frente a frente, despidos de tudo, despidos do mundo, vazios, apenas confirmados perante a testemunha divina que testemunhou e confirmou o desejo de nos pertencermos. Encontramo-nos na noite onde nascem todas as primaveras, onde todos pássaros cantam em coro a alvorada, como trompetas anunciando a confirmação, a consumação de unir o desejo de nossas almas também no corpo, revelando o mistério divino, confirmado na profecia bíblica e os dois formarão uma só carne, um só espirito.

Em nós que nos escolhemos amar, pelo menos até amanhã, confirmemos hoje, que ainda hoje nos desejamos fazer uno o querer, no silêncio gemido que ecoa nas nossas almas desde o dia em que nossos olhos pela segunda vez se beijaram.
 
Alberto Cuddel®
 
Pode acompanhar todos os textos em:
 

 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - (O)dor da sociedade…

Escrevo,
Reescrevo,
Descrevo,
Rodas soltas, engrenagens desfeitas,
Limites ultrapassados, sociedade perdida,
Pérfida e dorida, extinguindo-se na moral
Inexistente na libertinagem da liberdade,
Direitos, sempre direitos, reclamados
Concedidos, negociados, injustiça,
Injustamente arrastada no tempo,
Deveres perfeitamente incumpridos,
Sem tempo, com tempo, tudo pode,
Nada se nega, tudo se concede,
Pelo injusto e obtuso preço certo,
Acertado e concertado na inconsciência,
Consciente da ganância do eu…
Podre, o cheiro nauseabundo,
Entope-me a consciência,
Inundando-me as fossas nasais!
 
Alberto Cuddel®
 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Alberto Cuddel - Quotidiano



Quotidiano

Como um qualquer noturno ser,
Em fuga do lar para viver,
Aventura-se na penumbra a trabalhar,
Deixando para traz a família ficar!
Qual farrapo, qual sombra,
Em sua consciência tomba,
E sai, moribundo, em desalento,
Depois de tanto contentamento,
Para traz deixar!

Mas, e há sempre um mas,
A mutação que se opera em seu coração,
Não é apenas saudade,
Não é apenas verdade,
Do caminho traçado,
Do que por eles foi alcançado,
Na profissão,
Na devoção,
E ao recordar se alegra, sorri e agradece,
Pois tudo por ti é visto, feito e pedido,
Comunicado em jeito de prece,
Estando por isso agradecido,
Pela manhã, que ao chegar,
Os seu braços a minha espera vou encontrar!

Alberto Cuddel®
 
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Escolhi Amar-te XL


A pernas que te levaram à presença do meu olhar, são as mesmas que hoje lascivamente se entrelaçam no meu corpo, deixando-me sem vontade de partir!

As vezes, é bom demorar com o olhar pousado em ti, como que adormecido nas formas de teu corpo, o amor pode ser silencioso, mas jamais deixar de ser físico, podemos amar-nos eternamente na entrega da alma ao corpo, nem que seja num mero toque na pele rugosa das nossas envelhecidas mãos. O amor é também físico, Amor é também pornografia!

Sabes o quanto amo amar-te também com os dedos, com os lábios, com a língua, com o olhar, com as palavras, as palavras são do mais erótico e pornográfico que pode existir. É essa despudorada forma de nos amarmos que nos sustem na distância física do amor num abraço.

Nas curtas metragens dos nossos sonhos, realizamos as mais loucas e eróticas fantasias amorosas, num telefonema fora de horas, um notívago despertar, e as palavras, essa eróticas e traiçoeiras palavras -despe-te, veste apenas uma gabardine e desce, estou a chegar, e quero amar-te longe daqui, em qualquer outro lugar. Amamo-nos, porque apenas temos vontade de o fazer, de o ser, na essência também amantes.

A chuva cai, também na rua, som que nos inebria, no embaciar dos vidros do automóvel, mecânicos ávidos de testar exaustivamente o sistema de suspensão, a tua voz doce, acentuadamente quente, no sabor salgado da tua pele, és sonho realizado em mim, sou em ti ator perfeito da loucura, é a loucura de nos amarmos, num tempo em que já ninguém se ama.

Nos dias em que nos encontramos, amamo-nos… nos outros, amamo-nos também, pois ao segundo olhar, prometi nunca mais deixar de Escolher Amar-te!
Alberto Cuddel®

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Declaro-me...



Agora,
Sim agora,
Sabes que sim,
Que privar-me de mim,
Não faz sentido,
Enclausurar todo o sentir,
Reter o que deve ser dito,
Não, não faz o mínimo sentido,
Nada faz sentido, neste doce sentir,
Prender, amordaçar, não poder gritar,
Que sentido teria no silêncio da paixão,
Se não gritado, sussurrado, gemido,
Até chorado no âmago do prazer…

Não, não faz sentido,
Deixar-me morrer na dádiva,
Deixar-me morrer na entrega,
Quando basta dar-me, 
Dar-me apenas a ti!...

25/11/2014
Palavras Desconexas

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Alberto Cuddel - 58 Não me procures amanhã

não me procures amanhã,
porque amanhã não existo
procura-me e encontra-me hoje,
pois hoje estou, hoje sou
hoje sou, o que ontem vi
o que ontem senti,
o que ontem ouvi,
o que ontem disse,
o que ontem aprendi,
mas amanhã não,
não me encontras  amanhã
pois hoje, ainda tenho muito
muito a ver, muito a ouvir,
muito a sentir, muito a dizer,
muito aprender, muito amar
ainda tenho muito a viver!
 
Alberto Cuddel®

domingo, 22 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Mulher..


Nascida da firme esperança do amor,
Alimentada na virtude frutuosa,
Crescendo, tornando-se bela graciosa,
Enraizada na virtude da graça,

Ora bela, elegante florida,
Ora triste, despida sofrida,
Espera o namoro das aves
O brilho do arco-íris,
Brilha, disfarçado luar,
Cintila, apaixonada pelas estrelas,
O alvo acordar na pureza da neve,
O triste adormecer na folha caduca,
Enamora-se no triste chilrear,
De uma ave canora!...
Desilude-se na triste saudade,
De ver sofrida da mãe a humanidade!

Por: Alberto Cuddel®

Palavras Desconexas - 17

terça-feira, 5 de abril de 2016

Alberto Cuddel

Mote: “No íntimo do teu ventre o universo”

Criou-te mais perfeita que o protótipo,
Agente em si sensível e multiplicador,
Complexo, diferente, simplesmente mulher!

Ser mulher, amar sem compreender
Ser vida, de si por amor nascer,
Projeto futuro, em tudo perfeito
Sem instruções, descoberta do mundo!

Ser mulher, carregar em si o ontem,
Educar, manipulando o futuro,
Ser parte de um tudo, infinito,
Sendo em si para alguém o mundo!

Ser mulher, na fragilidade de uma lagrima,
Na luz de um sorriso, num grito de desespero,
No gemido, no sussurro, na sedução
Na força em que expulsa de si o feto,
No amor incompreensível amando
Num pequeno ser também parte de si!

Ser mulher, é também no homem
Encontrar, o eu mulher por quem
Todo este mundo ainda avança,
Num sonho doce de menino,
Pensamento inocente de criança!

Alberto Cuddel



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Alberto Cuddel - Pecado!

 

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Elevação puríssima do sentir eterno
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito do ser materno
 
Ser perfeito, de suprema elevação
Pensamentos levados na imaginação
Beijo a beijo perco-me no teu infinito
Firmeza querer vontade de granito
 
Sedentos pecados lívidos e carnais,
Deste mesquinho impuro e pecador
Ávido sedento de toques marginais,
 
Rendo-me perante a visão do pecado,
Amenizado na entrega ao sonhador
Personalizado em ti, meu ser amado!
 
Alberto Cuddel®

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mais de Vinte MIL visitas no Diário dos Escritores



20.000 visitas em 5 meses de vida.
Parabéns Diário dos Escritores. Parabéns a cada um que participou nesta caminhada e continua participando, direta e indiretamente.
Só tenho a agradecer ao poetas, escritores, escrevinhadores, sonhadores, prosadores, simpatizantes, jogadores de conversas e tudo o mais... 
Como sempre diz meu amigo de Moçambique, o poeta Mahiriri Ossuka: VIVA!


Membros do Diário dos Escritores:

01-Mariangela Padilha
02-Sônia Cancine
03-Glauber Vieira
04-Fátima Abreu
05-Jarbas Siebiger
06-Renata R. Correa
07-Alberto Cuddel
08-Irene Cuddel
09-J.Mendes
10-Sírio de Andrade
11-Hugo Paz
12-Ana Claudia Marques
13-Cesar Veneziani
14-Marcelo Noceli
15-Linda Lacerda
16-Samiresko
17-Margarethrosef
18-Paulo Miranda
19-Maria de Campos Lepre
20-Mahiriri Ossuka
21-Poeta do Sertão
22-Betty Vidigal
23-Jefferson Lima
24-Ione Morais
25-Andrea Melleu
26-Thymonthy Becker
27Paulinho Dhi Andrade (Diário do Escritor


Ainda temos 73 vagas. Quem se interessar basta solicitar a inclusão através da Caixinha de Contato, (Use a barra de rolagem para encontra-la), e aguardar um e-mail de confirmação. A inclusão de cada membro será por ordem de envio de solicitação.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Tributo - António Gedeão


Poema do Homem Só

 

Sós,

Irremediavelmente sós,

Como um astro perdido que arrefece.

Todos passam por nós

E ninguém nos conhece.

 

Os que passam e os que ficam.

Todos se desconhecem.

Os astros nada explicam:

Arrefecem

 

Nesta envolvente solidão compacta,

Quer se grite ou não se grite,

Nenhum dar-se de outro se refracta,

Nenhum ser nós se transmite.

 

Quem sente o meu sentimento

Sou eu só, e mais ninguém.

Quem sofre o meu sofrimento

Sou eu só, e mais ninguém.

Quem estremece este meu estremecimento

Sou eu só, e mais ninguém.

 

Dão-se os lábios, dão-se os braços

Dão-se os olhos, dão-se os dedos,

Bocetas de mil segredos

Dão-se em pasmados compassos;

Dão-se as noites, e dão-se os dias,

Dão-se aflitivas esmolas,

Abrem-se e dão-se as corolas

Breves das carnes macias;

Dão-se os nervos, dá-se a vida,

Dá-se o sangue gota a gota,

Como uma braçada rota

Dá-se tudo e nada fica.

 

Mas este íntimo secreto

Que no silêncio concreto,

Este oferecer-se de dentro

Num esgotamento completo,

Este ser-se sem disfarce,

Virgem de mal e de bem,

Este dar-se, este entregar-se,

Descobrir-se, e desflorar-se,

É nosso de mais ninguém.

 

António Gedeão

 

Não sendo este um dos poemas mais conhecidos do autor, foi o escolhido por mim a reescrever no hoje, não sendo eu sozinho, reescrevo-o contigo…

 
Poema a um Homem Sozinho
 
Só,
Irremediavelmente só,
Como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por ti
E ninguém te conhece.
 
Os que passam,
Os que te olham de lado,
Os que ainda falam:
Sai daqui…
 
Essa solidão desnuda,
Quer se veja, ou se tape,
Quer se peça, se despeça,
Ninguém para, a conversar…
 
Quem te sente, homem doente?
Ninguém nem mesmo eu,
Quem te escuta, homem que fala?
Ninguém nem mesmo eu,
Quem te ajuda, quem te mente?
Ninguém nem mesmo eu…
 
Dão-se esmolas, são tesouros,
Dão-se sopas e cobertores,
Dão-se roupas, e comprimidos
Mas ninguém te tira as dores,
Dão-se gritos, envergonhados,
Sem abrigo, desabrigados,
Dá-se tudo e nada tens!
 
Mas esse teu íntimo secreto
Que no silêncio desesperas,
Sentado enquanto esperas
Num esgotamento completo,
Este ser-se sem disfarce,
Um homem sozinho desenlace,
É teu, só teu de mais ninguém.
 
Alberto Cuddel