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terça-feira, 29 de setembro de 2015

J. Mendes

J. Mendes
Hoje dei de falar de mim

Tinha apenas quatro anos quando aquele vendedor de livros ia a nossa porta, minha mãe não era grande leitora, mas gostava de bonitas enciclopédias enfeitando a estante da nossa sala. Certa vez ele mostrou a ela uma coleção infantil e eu logo me interessei. Ela acabou por adquirir os livros para que se reunissem aos outros que enfeitavam a prateleira. Esses livros eram diferentes dos outros, eram grandes, e em quatro, cada um de uma cor, rosa, azul, amarelo e verde, todos em tons pastéis.

Eu costumava passar minhas férias na casa de uma tia e lá minha madrinha me contava histórias antes de dormir. Quando voltei para casa pedi para que minha mãe lesse as histórias dos livros que havia comprado. Ela o fazia todas as noites. Pela manhã eu ficava intrigada, admirava as figuras e não conseguia entender aquelas letras.

Na época em que eu aprenderia a ler na escola, tive um acidente, aos cinco anos fui mordida por um cão da raça pastor alemão na perna esquerda e não podia andar para ir ao colégio, além das vacinas diárias antirrábicas que eu precisava tomar.

Claro que para uma criança, os dias ficam cinza, mas não me lembro disso, apenas de que minha mãe pediu alguns livros para minhas primas professoras e começou a me ensinar a ler.

Aos cinco anos eu já havia aprendido a ler e a escrever, claro, li e reli todos os contos daqueles livros infantis. Uma das coleções enciclopédicas era um dicionário divido em três volumes, daí peguei o hábito de abrir os dicionários em qualquer parte apenas para descobrir novas palavras, é claro que hoje, trinta e três anos depois não me lembro da maioria dessas palavras, eu costumava escolher as mais complicadas.

Aos oito anos notei que a terceira enciclopédia era um único volume sobre geografia e eu ficava fascinada com os mapas. A quarta eram quatro volumes sobre educação sexual para a família. Li os quatro volumes e não precisei contar com aquela conversa que os pais precisam ter com os filhos e os meus nunca tiveram comigo. Certa vez, meu padastro ia andando pela sala e se virou para minha mãe: "Você já reparou no que a Jacqueline está lendo?", com um ar reprovador. Minha mãe deu uma olhada e respondeu dando de ombros: "Ué, ela tem que aprender!". E ambos se calaram, para minha sorte em terminar minha leitura que me foi  muito educativa.

Meu primeiro livro foi o menino azul depois dos contos infantis e logo em seguida o inesquecível Jane Eyre.

Quando cheguei ao ensino fundamental peguei o péssimo hábito de ir parar com certa frequência na diretoria, raramente por bons motivos. A punição do diretor era mandar alunos rebeldes para a biblioteca. Mal sabia ele que estava me mandando ao paraíso, me tirando da sala e mandando ler, fato que não lhe passou despercebido logo de cara e com isso passou a me mandar copiar o que tinha nos livros, outra paixão minha, escrever no meu diário e cadernos de poesias. Bem, acabei ficando com pena do diretor e os dias na biblioteca me deixaram longe de encrencas. O que era castigo virou uma prazer e teve grande mudança em meu comportamento. Não que eu não lesse, mas passar aquelas horas lendo naquele lugar tranquilo e cheio de opções me transmitiram uma calma que eu não possuía.

Cinéfila e ouvinte assídua de rádio, em um programa desses que tocam aquelas músicas que nos faz sentir saudades até do que não existe, o locutor mencionou a tradução de "Vincent" de Don McLean e logo em seguida mencionou que devido a forte depressão o pintor decapou a própria orelha e dera a amada como presente, daí o auto-retrato em que ele aparece com um pano envolta do rosto. Achei a história muito comovente e ficando fã do autor comecei a matar as aulas de Técnicas agrícolas para ficar na biblioteca pesquisando sobre a vida de Vincent Van Gogh. Tenho amor por pinturas e desenhos, sendo até hoje Vincent e Monet meus prediletos.

Aos catorze anos cismei que algumas histórias das quais lia deviam terminar de forma diferente, eu lia para entrar em um mundo de personagens e tudo deveria estar em uma determinada ordem, quando o livro terminava, algumas vezes eu me decepcionava e pensava em um fim diferente, mas o que incentivou mesmo a escrita foi observar as pessoas ao meu redor, eu imaginava situações e pessoas totalmente diferente no lugar de tudo. Nisso escrevi a mão meu primeiro livro de noventa e seis páginas. Falava de um amor de dois melhores amigos pela mesma mulher que amava apenas um.
Meus leitores foram minhas amigas. Nunca publiquei uma obra a não ser na internet.

Muitos anos me mantiveram presa aos estudos e trabalho, com o tempo o trabalho tomou o lugar dos estudos, mas os filmes e livros sempre formaram minha trilha.

Há mais dez anos voltei a escrever, fui interrompida por forte depressão. Atualmente, tenho o tão desejado tempo para escrever um de meus livros em mente, mas um forte bloqueio fez com que eu me fechasse. Através da poesia consegui abrir uma janela para a luz entrar, então consegui voltar as prosas e crônicas. O que antes me era mais fácil, o bloqueio tornou quase impossível, quase!

Ou seja, ironia? Passo a vida inteira trabalhando para poder ter a oportunidade de trabalhar no que mais amo, escrever. E quando essa oportunidade aparece um bruta bloqueio trava todos os meus livros, em mentes, desfiz de alguns rascunhos. Mas a mente os guarda.

Para minha saúde, aceitei um repouso e dei com as portas da poesia, estou com com minhas postagens que se resumem a poesias, sonetos, poemas, prosas, contos e crônicas.

Agora me choquei com o bloqueio e comecei a escrever um de meus livros. Ainda mantenho o hábito de escrevê-los, primeiro, na máquina de escrever. É um livro com três contos e conta com aproximadamente trezentas páginas. São três estórias independentes mas tem como foco a mente humana.
Hoje dei de falar de mim.


J.Mendes



terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mais de Vinte MIL visitas no Diário dos Escritores



20.000 visitas em 5 meses de vida.
Parabéns Diário dos Escritores. Parabéns a cada um que participou nesta caminhada e continua participando, direta e indiretamente.
Só tenho a agradecer ao poetas, escritores, escrevinhadores, sonhadores, prosadores, simpatizantes, jogadores de conversas e tudo o mais... 
Como sempre diz meu amigo de Moçambique, o poeta Mahiriri Ossuka: VIVA!


Membros do Diário dos Escritores:

01-Mariangela Padilha
02-Sônia Cancine
03-Glauber Vieira
04-Fátima Abreu
05-Jarbas Siebiger
06-Renata R. Correa
07-Alberto Cuddel
08-Irene Cuddel
09-J.Mendes
10-Sírio de Andrade
11-Hugo Paz
12-Ana Claudia Marques
13-Cesar Veneziani
14-Marcelo Noceli
15-Linda Lacerda
16-Samiresko
17-Margarethrosef
18-Paulo Miranda
19-Maria de Campos Lepre
20-Mahiriri Ossuka
21-Poeta do Sertão
22-Betty Vidigal
23-Jefferson Lima
24-Ione Morais
25-Andrea Melleu
26-Thymonthy Becker
27Paulinho Dhi Andrade (Diário do Escritor


Ainda temos 73 vagas. Quem se interessar basta solicitar a inclusão através da Caixinha de Contato, (Use a barra de rolagem para encontra-la), e aguardar um e-mail de confirmação. A inclusão de cada membro será por ordem de envio de solicitação.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Segunda Antologia Literária Feminina "Mulheres Nuas"

  
  Segunda Antologia Literária Feminina "Mulheres Nuas" 
Organizador: Paulinho Dhi Andrade
Sinopse: 
Várias poetisas se reuniram numa antologia poética para mostrarem suas obras, e também num ato solidário ao próximo, arrecadarem verbas para doação a um Instituto de combate ao câncer de mama.
Preço de venda (Versão impressa): R$ 31,04
Edição: (1) (2017) 
Número de páginas : 147
Palavras-chave: 

Compre aqui o livro 'Segunda Antologia Literária Feminina


UM POUCO DE HISTÓRIA

   1ª Exposição Literária Feminina “Mulheres Nuas"
   Aconteceu do dia: 13 a 30 de abril de 2008, no POUPATEMPO da Estação Metrô Corinthians Itaquera-SP. No início com 17 poetisas, atingindo o número de 62 até o ano de 2010.
Idealizador: Paulinho Dhi Andrade
Colaboradoras: Iriene Borges, Allanna Menezes e Li Nardi
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   Quando resolvi fazer algo diferente naquilo que mais gostava, literatura, pus-me em xeque, pois tudo me parecia praticamente inviável àquelas alturas, onde quase tudo já tinha sido criado ou copiado. 
   De repente uma ideia de, em um provável livro a ser escrito, pôr a imagem de uma mulher nua parecia ser algo viável. Não sei o porquê, mas, mais uma vez tive a sensação de que não daria certo, principalmente porque fugiria ao tema no qual estava acostumado a escrever, poema que falavam coisas bem diferentes de nudez feminina. Eu escrevia muito sobre questões que cobravam respostas religiosas. Além disso, eu não tinha tantos poemas ou contos assim que pudessem servir como base, caso meu projeto fosse tematicamente sensual. Em, 2007, não tenho muita certeza do ano, passei a ser integrante da Comunidade Literária “Bar do Escritor” no Orkut. O grupo, certa vez, reuniu-se em um bar na Vila Madalena, em tal encontro eu não estava presente, pois não fiquei ciente de tal momento. Na segunda vez, marquei minha presença no Bar Mada, também nos Jardins, em São Paulo. A partir daí, houve outros encontros em saraus, sendo que um dos mais marcantes para mim, foi o Politeama Sarau Diversos, organizado pela poetiza Barbara Leite. Por já conhecer a poetisa Ivone Fs e a poetisa Flá Perez de alguns encontros do Bar do Escritor, sempre conversávamos a respeito de projetos literários.
   Expliquei para a Ivone Fs., sobre o que me passava pela cabeça, ela tentou me ajudar com algumas ideias, o mesmo fez a Flá Perez. De repente, de forma individual, deixei bem claro para elas que havia me ocorrido a ideia de escrever um livro e por na capa o corpo nu de uma mulher, e ambas tiveram a mesma dúvida que eu tive logo quando comecei a elaborar tal ideia: “Meus poemas não combinavam com nudez.”.
   Em 1997, eu havia feito uma exposição com meus poucos poemas e contos/crônicas no Parque Chico Mendes, Zona Leste de São Paulo. Minha primeira exposição literária. Tal lembrança me fez sorrir como se sorri aquele que tem uma grande ideia em momentos de apuros. Sim, uma Exposição, mas dessa vez não seria com os meus poemas e sim com poemas de outras pessoas, e material para isso eu tinha sobrando, onde? No Bar do Escritor. Resolvi convidar todos os membros da Comunidade para uma “Grande Exposição Literária”, mas quando me perguntaram qual seria o nome dela, gaguejei, eu ainda não havia pensado nisso... e agora?
   Em mais um sarau, outra conversa com a Ivone Fs e a Flá Perez, alguns amigos delas estavam presentes e nada disseram a respeito, apenas ouviam o teor do assunto. Cheguei a pensar em desistir do projeto, mas eu já havia dado a ideia no Bar do Escritor, então nada de desistência, eu tinha que continuar e continuei...
   A ideia maior foi separar os gêneros, seriam duas Exposições, uma masculina e outra feminina, sendo que daria mais atenção à feminina. Então comuniquei a todos da Comunidade, e deixei bem claro que o título seria revelado em breve, pois eu já tinha alguns elaborados, não eram nada atraentes, tão sem graça que até os esqueci.
   Em 2008, comprometido em um relacionamento, antes de ter criado alguns títulos, conversei com minha namorada a respeito de meu projeto. Ela ficou contente por eu ter tal ideia. Numa conversa em seu portão, pois estava ao volante do carro da empresa onde trabalhava de forma terceirizada para a Bandeirantes, Companhia Elétrica de Guarulhos, quando perguntei a ela se teria coragem de pousar nua para a capa de um livro, caso eu o escrevesse. Ela riu e disse: “Você não teria ciúmes?”, Rimos e fui embora rumo à empresa, já era final de expediente.
   No caminho, tentei encontrar algum nome que faria sentido para a Exposição feminina. Muitos títulos vieram, mas nada me agradava. Alguns foram: “Mulheres Independentes”, “Mulheres Poetas”, “Mulheres que Fazem”, “Mulheres que fazem tudo”... nada me atraia em tais títulos. Talvez por ter sido o último a ser pensado, o “Mulheres que fazem tudo” não saía de minha cabeça. E como um pensamento puxa o outro, tal fixação me fez perguntar em solilóquio, deixando meu parceiro no banco de passageiros com dúvidas a respeito de minha sanidade ao me ver falando sozinho, “Mulheres que fazem tudo?”, e o que elas fazem? Percebi que meu parceiro soltaria uma piada e de propósito dei uma freada no carro, ele deve ter percebido minha intenção ou ficado com medo. “Mulheres que fazem de tudo”... Isso mesmo! Elas fazem tudo hoje em dia. Lembrei-me de uma mulher morena com feição de mãe e deveres de pai, dirigindo um caminhão pipa em frente a empresa onde eu recolhia minhas ordens de serviços para serem executadas nas ruas. Lembrei-me de algumas motoristas de ônibus, táxis, metrô, professoras, advogadas, médicas, artistas de cinema e novelas, pintoras, donas de casa, fazendeiras, políticas, ativistas culturais e sociais... enfim, elas realmente já faziam de tudo. “Mulheres que fazem de tudo”. Não! Não era o título que eu esperava... Tinha que haver outro melhor... Perguntei-me então: Por que “Mulheres que fazem de tudo?”, a resposta me veio de uma forma que nem eu sei explicar: “Porque elas se despiram de muitas coisas.”.
   Isso! “Mulheres Nuas”. Nuas de dogmas religiosos, preconceito machista, opressão política... mulheres que davam aulas, compunham e cantavam grandes músicas, garantiam a segurança pública e higiênica, participavam de projetos que visavam o bem estar de sua nação... isso mesmo, “Mulheres Nuas”.
   Assim nascia o Projeto Literário Feminino “Mulheres Nuas”.
Março de 2008, comecei a solicitar nomes e textos das prováveis participantes do projeto. No início somente 17 poetisas se inscreveram. Após me enviarem suas biografias, textos imagens de rosto, juntei ao projeto e levei tudo para a administração do Poupatempo na Estação do Metrô Corinthians Itaquera. Depois de entregue, eu deveria aguardar no mínimo quinze dias para saber se seria aprovado ou não. Quinze dias, “quinze anos”, que ansiedade.
   Logo que recebi uma ligação da secretária do Poupatempo, da amiga Silvia, para que eu comparecesse ao local para conversar, imaginei que tudo havia dado certo, caso fosse o contrário ela me falaria por telefone poupando-me a viajem, dito e feito, a notícia era boa. Entreguei em mão todos os textos para a Silvia e sua chefe Maria, para que elas os ampliassem devido terem sidos impressos em folhas A4.
   Mas como nem tudo que reluz é ouro, a Maria, responsável pela liberação do espaço onde se realizaria a exposição, barrou o título “Mulheres Nuas”, alegando que muitas crianças poderiam comparecer no local e não seria nada bom, principalmente se estivessem acompanhadas de seus pais. “E agora?”, pensei, depois de tanto trabalho para encontrar um nome para o projeto, de repente um empecilho. “Podemos usar outro nome, por exemplo: ‘Mulheres em destaques”, disse-me ela com ar de inteligência, como se fosse seu o projeto. Senti certa barreira particular vindo dela, e logo confirmei minhas suspeitas, ela era religiosa e achara o título obsceno.
   Resolvi aceitar, pois o importante era que eu havia conseguido um lugar para fazer a exposição. E não era um lugar qualquer, era um espaço onde grandes artistas expuseram suas obras. Eu estava me sentindo realizado com tudo aquilo. Após marcar a data de realização, avisei os membros do Bar do Escritor. Muitos ficaram eufóricos, contentes ao extremo, principalmente as poetisas. No dia 13 de abril de 2008, fui o primeiro a chegar ao local.
Dei alguns retoques e ouvi muitos parabéns dos funcionários do Poupatempo. Algumas fotografias foram tiradas com funcionários e leitores. Por motivos de compromisso, na mesma data da realização da exposição, tive que sair mais cedo e não pude esperar um grupo de amigos do Bar do Escritor formado pelos poetas: Barbara Leite, Maria Júlia Pontes, Carla Abreu, Cesar Veneziani, Anderson H., e a amiga Marina Franciulli.
   No dia seguinte a visita foi das poetisas, Rita Medusa e Ivone Fs. Nos momentos em que todos eles compareceram ao local, registraram com fotos.
Os textos foram expostos em painéis de latão na cor preta com frente de vidro.
Até o momento da primeira exposição, ainda não tínhamos uma logomarca, foi ai que a amiga Marina Franciulli bastante criativa, nos brindou com um Flyer em cor azul, onde mostra uma mulher pousada com os braços abertos em paralelo ao chão e um pano sobrevoando sua cabeça. Um símbolo que caiu bem ao projeto por dar a sensação de liberdade à mulher.
   O projeto estava dando certo. Depois da primeira exposição surgiu a segunda, esta fora de São Paulo, no Maranhão. Uma das participantes, Allanna Sanches Menezes, deu a ideia de expor os textos em uma Biblioteca da Universidade Federal UFMA em Imperatriz do Maranhão, onde acontecia o Salimp, na data de 1 a 4 de setembro de 2009. Assim o projeto que havia nascido em São Paulo começou a crescer pelo Brasil afora.
   A terceira Exposição aconteceu no CDC, Tide Setubal em São Paulo. Zona Leste, Em seguida vieram várias, inclusive duas organizadas no Estado do Paraná por Sônia Sonia Cancine e Iriene Borges, em Cidades diferentes.
   Logo no início das exposições, resolvi parabenizar as participantes com um certificado de participação. Ao desenhá-lo, o levei para uma gráfica e fiquei surpreso com o valor cobrado, na época a matriz custaria R$40.00 e cada impressão R$ 15.00. Resolvi encomendar o serviço, mas eis que de repente recebo uma notícia muito preocupante da empresa onde trabalhava, demissão em massa. Adiei a encomenda até que eu começasse a receber o salário desemprego, e ao receber a primeira parcela voltei à gráfica. Logo no primeiro mês a situação começou a apertar, desempregado e sem perspectiva alguma de um novo emprego, quase desisti da encomenda completa, eu poderia encomendar a metade e depois a outra parte, mas alguma coisa me mim dizia para continuar. Certo dia a poeta Barbara Leite entrou em contato comigo via celular e quis saber como eu havia conseguido os certificados se eu estava desempregado.
   Então eu expliquei tudo e ela ficou brava comigo. Disse que tomaria providências para que todas as meninas do projeto participassem com uma quantia para ajudar a pagar a gráfica, e foi assim que muitas delas ajudaram.
   A poeta Carla Abreu também teve um papel muito importante no projeto, ao saber que a amiga Marina Franciulli havia elaborado o Flyer para a exposição, ela encomendou em uma gráfica a sua reprodução em papel cartão para ser distribuído entre os participantes do Sarau Politeama no momento em que fora entregue os certificados.
   Apesar dos momentos de alegrias durante todo o momento de exposições, tivemos também dois motivos para ficarmos tristes... as ausências de duas poetas maravilhosas. Primeiramente a escritora Heloisa Galves, criadora da marca infantil Além da Lenda, em seguida a poetisa e artista plástica Angela Oiticica O falecimento de ambas fez com que um projeto de livro, com 12 participantes, ficasse parado, pois não havia em nós motivação para dar continuidade. Depois de passar o choque e nos conformarmos com a situação, resolvi seguir o que havia parado, e foi então solicitado da poeta e participante da exposição, Larissa Marques, a produção do primeiro livro dedicados a elas, 1ª Antologia Literária Feminina “Mulheres Nuas”, Editora Utopia.
   Assim o projeto segue até a 9ª exposição, e esperamos que volte a caminhar com toda a força de antes...
Aqui tenho a agradecer os amigos que colaboraram para que o projeto desse certo.
   O primeiro veículo de comunicação utilizado para a divulgação foi a Comunidade Bar do Escritor criada pelo amigo escritor Giovani Ieminii. Agradeço também ao escritor Cristiano Deveras pelo imenso apoio com elogios às meninas e suas obras. À Iriene Borges, Sônia Sonia Cancine e Allanna Menezes que contribuíram com exposições feitas em suas cidades.
Tem muita gente para ser agradecida... Desculpem-me as que esqueci o nome agora, mas assim que encontrar alguns registros deixarei aqui o nome de todos. Principalmente das participantes...

...Segue alguns nomes de participantes:
...Allanna Menezes, Barbara Leite, Sônia Sonia Cancine, Rosangela Primo, Maria Ligia Ueno, Cristhina Rangel, Rita Medusa, Angela Oiticica, Heloisa Galves, Ivone Fs, Ana Cristina Martins, Larissa Marques, Iriene Borges, Flá Perez, Lili Ribeiro, Érica Cristiane, Maria Júlia Pontes, Marcia Mattoso, Regina Zamora, Jessiely Pinheiro, Betty Vidigal, Li Nardi, Clau Assi, Mônica San, Ruth Cassab Brolio, Mariângela Padilha, Rosa Cardoso, Camila Carolina Bonfim,
Alana Nunes...


   RELAÇÃO DAS EXPOSIÇÕES JÁ REALIZADAS:
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   Exposição Mulheres Nuas" Poupatempo Corínthians Itaquera SP
Participação com poesias - Exposição Organizada Por Paulinho Dhi Andrade

   Exposição "Mulheres Nuas"Biblioteca UFMA Imperatriz do Maranhão
Participação com poesias - Exposição idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Alanna Sanches
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   Exposição"Mulheres Nuas"CDC Tide Setubal São Miguel Paulista SP
Participação com poesias - Organização Paulinho Dhi Andrade
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   Exposição "Mulheres Nuas" Biblioteca do Paraná
Participação com poesias - Exposição Idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Iriene Borgese e Liliane Jochelavicius
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   Exposição "Mulheres Nuas"- SALIMP
Participação com poesias - Exposição idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Alanna Sanches
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   Exposição "Mulheres Nuas"- São Miguel Paulista SP 18 a 20 de 2010
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade
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   Exposição"Mulheres Nuas"- Centro Cultural Guaianazes Lajeado – SP
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade
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   Exposição"Mulheres Nuas"- Biblioteca Vicente Paulo Guimarães SP 19 março de 2010
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade

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   Exposição "Mulheres Nuas"EMEF Pe. Emílio Miotti SP 18 março de 2010 Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade e Aline Nardi


Encontre o livro no Site do Clube de Autores: 
https://clubedeautores.com.br/backstage/my_books/225971
Encontre o organizador no Facebook: 
https://www.facebook.com/paulinhodhi.andrade
Fanpage da Antologia:
https://www.facebook.com/Exposi%C3%A7%C3%A3o-Liter%C3%A1ria-Feminina-Mulheres-Nuas-221383191333301/?fref=ts

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Carne Morta

A escuridão em sua persistência sorrateira...
Fiquem atentos!
Atentos aos tênues momentos em que as pequenas  fissuras se tornam nada mais que são.
Carne morta!

De frente ao reverso do espelho, solidão não define.
Há sua volta notam-se criaturas, cada qual em suas mais variadas versões de reversos.
Umas se arrastam entre cédulas e moedas procurando o que o desespero lhes aponta.
Falta um pedaço de mim!
Tal grito, mesmo estando ora ou outra em tal ausência de viver e reações diversas,
Assusta...
Uns ainda batem e esmurram o espelho
Outros sequer sabem onde estão
E sequer que são...
Muitos não veem uns aos outros

São iguais a mim!
Criaturas que  possuem  o outro lado do espelho na visão.
O desespero me jogou aqui...
Primeiro a velha condutora “Aielaféc”

Tais conduções têm sido mais frequentes
Roupas e escudos não entram
Seria apenas uma delicada e perigosa zona mental?

- NÃO ARROTAVÁS ALEGRIA HÁ POUCO?
A voz tão sem vida e tétrica quanto o ambiente não fora surpresa.
- INSANAMENTE ALEGRE?!
- Tal insanidade é a mesma que lhe traz o prazer de me ter em tua presença para que possas me sugar o que resta.
- O QUE TE FAZ FELIZ?
- Saber que sairei daqui.
- O QUE TE TRÁS?
- Você!
- ME CRIASTE!
- Jamais! Como eu poderia fazer isto?!
- VIVENDO DE FORMA ERRADA DO OUTRO LADO, AQUI NÃO ESTÃO RESPOSTAS ALGUMAS.
AQUI SÓ HÁ INCÓGNITAS... FRASES TROCADAS E NÃO HÁ RESOLUÇÃO PARA O QUE PROCURAM AQUI. POSSO DIZER QUE AQUI É O LUGAR DE TODOS QUE NÃO ENCONTRARAM RESPOSTAS.
- E o que procuro?
- JÁ LHE DISSE QUE NÃO OBTENHO RESPOSTAS! SOU APENAS O REFLEXO DE TODAS AS SUAS FRUSTAÇÕES E SOFRIMENTOS, EU SIMPLESMENTE ACONTECI NO MEU TEMPO E ALGO EM VOCÊ ME FAZ PRESENTE, E AQUI FICO ATÉ QUE ME CONECTE A VOCÊ.
- Quem é você?
- TUDO AQUILO QUE VOCÊ NÃO COMPREENDE E SUFOCAM MEDOS, AFLIÇÕES...
- Você me faz sentir como uma...
- CARNE MORTA!
- Exato, me deixe em paz!
- BASTA NÃO PROCURAR SUAS PERGUNTAS DESTE LADO...
- E a quem devo... ?

- CARNE VIVA.

J.Mendes



sábado, 29 de abril de 2017

PAPO DE LEIGO

Marido e mulher estão na sala, ela, folheando uma revista sem muito interesse e ele olhando distraidamente pela janela:
- Querida, já reparou como a noite está linda?
- não. - responde ainda com os olhos vagamente fixos na desinteressante revista.
O marido ainda com aquele otimismo que pode ofender uma dona de casa, à noite, já cansada, continua:
- Amanhã fará um lindo dia de sol!
- Você quer dizer "quente".
- Sério! as estrelas estão lindas!
- Muitas delas não estão mas lá.
- Eu sei! mas não é impressionante que mesmo tendo morrido ainda continuem brilhando?
- Acho que o brilho percorre delas era de quando eram vivas, elas, quando morrem, ouvir dizer, formam buracos negros.
- Olha querida, eu já ouvi falar disso, mas o que estou querendo dizer é que o brilho que encanta...
- Sabe o que um buraco negro faz?
- Não, mas...
- Ouvi dizer que sugam tudo ao redor, e que a matéria humana seria instantaneamente desintegrada em um deles.
- Tá! tá! - Exasperou-se - Querida,só estou querendo dizer que a noite está linda e que amanhã teremos um lindo dia ensolarado!
- Bom mesmo são dias nublados - falou tranquilamente finalmente deixando a revista de lado.

À essa altura o marido já perdendo o entusiasmo pela noite, indagou impaciente:
- Qual é o seu problema com o sol?
- Sabia que ele também é uma estrela?
- Deus do céu! Sabia! E daí?
- como assim e daí? Sendo uma estrela um dia ele irá morrer... Implodir ou explodir? Existem explosões no espaço?
Ele respirando fundo:
- Querida está vendo meu diploma de astrofísico ali na parede?
- Não...
- Claro que não! Porque ele não existe! Ou seja, não sei! Apenas contemplei a noite e...
- Implodir... Explodir, eu não sei, mas um dia esse lindo sol irá morrer, virar um gigantesco buraco negro e engolir não somente a Terra, mas toda a via láctea e se bobear adjacências.

Já sem paciência ele resolveu dar uma provocada:
- Sabe o que eu acho? Que depois de tudo isso que disse, você mesmo irá passar a noite ´torcendo para que o sol apareça pela manhã salvo e brilhante.
-  Na verdade, não/
- Posso saber a razão da segurança?
- Claro. Se o sol morresse nós seriamos sugados ou dizimados antes mesmo de piscar, 
- Tá bom, chega! Vou dormir!
- Mas querido, eu ia servir o jantar perto da janela para apreciarmos o céu!
- Boa noite!

J.Mendes


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Estações

Vem apontando mais uma primavera
e meu sentimento frio ainda impera
Após ter me despido das folhas de outono
dos meus sentimento o verão fora dono

Ainda sim, chego nesta estação florida
trazendo a minha fria e escaldante ferida
Congelada com o poder de um vulcão
Ansiava que a dama floral me adornasse o coração

Carrego chagas, contudo, agarro minha gana
estar na vida pode ser um anagrama
Muito disto não posso assimilar
mas ainda posso sentir o aroma das estações ao passar

Estaciono a mente em pensamentos perdidos
entre as quatro estações dos arrependidos
E me iludo ao esperar que a estação das flores
venha a florir meus passados amores.



J.Mendes


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

"Linchando" o tempo

Mais de cem anos se passaram e ainda não se concretizou o restabelecimento mediante a tirania que fora estabelecida há mais de trezentos anos e deixara descentes pré-dispostos à impedirem seu fim. Começando pelo não reconhecimento do fato da igualdade. Ainda incitando atitudes arcaicas entre os iguais e atuais. Uma grande cerco de marionetes inconscientes? Um método monstruoso que tem força para existir baseado em qualquer diferença atual? Um joguete psicológico. Quanto maiores as divisões, menores se tornam a possibilidade de um avanço contra este pingue pongue de diferenças.

J.Mendes 

P.S.: Abaixo um cópia da carta de William Lynch, escrita há cerca de 300 anos. Nela, Lynch menciona sua monstruosa tática psicológica para exercer o poder sobre as pessoas. Sobressaltando suas diferenças e jogando uma contra as outras baseadas nisso. Lynch usava as diferenças para causar caos. Certas vezes me pergunto? Saímos deste ciclo de TODAS as formas?




sábado, 19 de setembro de 2015

Intriga

A poesia tirou férias
disse ao poema que haveria boêmia
disto formou-se intriga séria
o poema disse a poesia que não mais escrevia

A poesia fez uma prosa
o poema revidou em rimas
o soneto se intrometeu de forma garbosa
e o verso disse que não haveria brigas

A poesia fez da boêmia uma pintura
o poema esculpiu palavras místicas
o soneto contribuiu com formosura
A rima nem sempre se faz presente aos artistas

J.Mendes

domingo, 4 de outubro de 2015

Mulheres Nuas "invadem" Metrô de São Paulo

1ª Exposição Literária Feminina “Mulheres Nuas"
Aconteceu do dia: 13 a 30 de abril de 2008, no Poupatempo da Estação do Metrô Corinthians Itaquera-SP. No início com 17 poetisas, atingindo o número de 62 até o ano de 2010.
Organizador: Paulinho Dhi Andrade

(obs.: a data gravada nas imagens não está correta, devido a não configuração.)
Flyer da Exposição
Criação: Marina Franciulli

Marina Franciulli - Criadora  da logomarca "Mulheres Nuas".

Quando resolvi fazer algo diferente naquilo que mais gostava, literatura, pus-me em xeque, pois tudo me parecia praticamente inviável àquelas alturas, onde quase tudo já tinha sido criado ou copiado. 

De repente uma ideia de, em um provável livro a ser escrito, pôr a imagem de uma mulher nua parecia ser algo viável. Não sei o porquê, mas, mais uma vez tive a sensação de que não daria certo, principalmente porque fugiria

Apresentação das poetas

ao tema no qual estava acostumado a escrever, poema
s que falavam coisas bem diferentes de nudez feminina. Eu escrevia muito sobre questões que cobravam respostas religiosas. Além disso, eu não tinha tantos poemas ou contos assim que pudessem servir como base, caso meu projeto fosse tematicamente sensual. Em, 2007, não tenho muita certeza do ano, passei a ser integrante da Comunidade Literária “Bar do Escritor” no Orkut. O grupo, certa vez, reuniu-se em um bar na Vila Madalena, em tal encontro eu não estava presente, pois não fiquei ciente de tal momento. Na segunda vez, marquei minha presença no Bar Mada, também nos Jardins em São Paulo. A partir daí, houve outros encontros em saraus, sendo que um dos mais marcantes para mim, foi o Politeama Sarau Diversos, organizado pela poetiza Barbara Leite. Por já conhecer a poetisa Ivone Fs e a poetisa Flá Perez de alguns encontros do Bar do Escritor, sempre conversávamos a respeito de projetos literários. 
Poeta Ivone Fs



Expliquei para a Ivone Fs., sobre o que me passava pela cabeça, ela tentou me ajudar com algumas ideias, o mesmo fez a Flá Perez. De repente, de forma individual, deixei bem claro para elas que havia me ocorrido a ideia de escrever um livro e por na capa o corpo nu de uma mulher, e ambas tiveram a mesma dúvida que eu tive logo quando comecei a elaborar tal ideia: “Meus poemas não combinavam com nudez.”.


Em 1997, eu havia feito uma exposição com meus poucos poemas e contos/crônicas no Parque Chico Mendes, Zona Leste de São Paulo. Minha primeira exposição literária. Tal lembrança me fez sorrir como se sorri aquele que tem uma grande ideia em momentos de apuros. Sim, uma Exposição, mas dessa vez não seria com os meus poemas e sim com poemas de outras pessoas, e material para isso eu tinha sobrando, onde? No Bar do Escritor. Resolvi convidar todos os membros da Comunidade para uma “Grande Exposição Literária”, mas quando me perguntaram qual seria o nome dela, gaguejei, eu ainda não havia pensado nisso...e agora?
Poeta Carla Abreu


Em mais um sarau, outra conversa com a Ivone Fs e a Flá Perez, alguns amigos delas estavam presentes e nada disseram a respeito, apenas ouviam o teor do assunto. Cheguei a pensar em desistir do projeto, mas eu já havia dado a ideia no Bar do Escritor, então nada de desistência, eu tinha que continuar e continuei...
A ideia maior foi separar os gêneros, seriam duas Exposições, uma masculina e outra feminina, sendo que daria mais atenção à feminina. Então comuniquei a todos da Comunidade, e deixei bem claro que o título seria revelado em breve, pois eu já tinha alguns elaborados, não eram nada atraentes, tão sem graça que até os esqueci. 
Em 2008, comprometido em um relacionamento, antes de ter criado alguns títulos, conversei com minha namorada a respeito de meu projeto. Ela ficou contente por eu ter tal ideia. Numa conversa em seu portão, pois estava ao volante do carro da empresa onde trabalhava de forma terceirizada para a Bandeirantes, Companhia Elétrica de Guarulhos, quando perguntei a ela se teria coragem de pousar nua para a capa de um livro, caso eu o escrevesse. Ela riu e disse: “Você não teria ciúmes?”, Rimos e fui embora rumo à empresa, já era final de expediente. 
Marina Franciulli, Maria Julia Pontes, Carla Abreu e Barbara Leite
No caminho, tentei encontrar algum nome que faria sentido para a Exposição feminina. Muitos títulos vieram, mas nada me agradava. Alguns foram: “Mulheres Independentes”, “Mulheres Poetas”, “Mulheres que Fazem”, “Mulheres que fazem tudo”... nada me atraia em tais títulos. Talvez por ter sido o último a ser pensado, o “Mulheres que fazem tudo” não saía de minha cabeça. E como um pensamento puxa o outro, tal fixação me fez perguntar em solilóquio, deixando meu parceiro no banco de passageiros com dúvidas a respeito de minha sanidade ao me ver falando sozinho, “Mulheres que fazem tudo?”, e o que elas fazem? Percebi que meu parceiro soltaria uma piada e de propósito dei uma freada no carro, ele deve ter percebido minha intenção ou ficado com medo.
Karina Carolina e Camila Carolina
“Mulheres que fazem de tudo”... Isso mesmo! Elas fazem tudo hoje em dia. Lembrei-me daquela mulher morena com feição de mãe e deveres de pai, dirigindo aquele caminhão pipa em frente a empresa onde eu recolhia minhas ordens de serviços para serem executados nas ruas. Lembrei-me de algumas motoristas de ônibus, táxis, metrô, professoras, advogadas, médicas, artistas de cinema e novelas, pintoras, donas de casa, fazendeiras, politicas, ativistas culturais e sociais... enfim, elas realmente já faziam de tudo. “Mulheres que fazem de tudo”. Não! Não era o título que eu esperava... Tinha que haver outro melhor... Perguntei-me então: Por que “Mulheres que fazem de tudo?”, a resposta me veio de uma forma que nem eu sei explicar: “Porque elas se despiram de muitas coisas.”. 
Visitantes

Isso! Mulheres Nuas. Nuas de dogmas religiosos, preconceito machista, opressão politica... mulheres que davam aulas, compunham e cantavam grandes músicas, garantiam a segurança pública e higiênica, participavam de projetos que visavam o bem estar de sua nação... isso mesmo, “Mulheres Nuas”.
Março de 2008, comecei a solicitar nomes de textos das prováveis participantes do projeto. No início somente 17 poetisas se inscreveram. Após me enviarem suas biografias, textos imagens de rosto, juntei ao projeto e levei tudo para a administração do Poupatempo na Estação do Metrô Corinthians Itaquera.  Depois de entregue, eu deveria aguardar no mínimo quinze dias para saber se seria aprovado ou não. Quinze dias, “quinze anos”, que ansiedade. 
Logo que recebi uma ligação da secretária do Poupatempo, a amiga Silvia, para que eu comparecesse ao local para conversar, imaginei que tudo havia dado certo, caso fosse o contrário ela me falaria por telefone poupando-me a viajem, dito e feito, a notícia era boa. Entreguei em mão todos os textos para a Silvia e sua chefe Maria, para que elas os ampliassem devido terem sidos impressos em folhas A4.
Divulgação no Blog Verdes Trigos
Mas como nem tudo que reluz é ouro, a Maria, responsável pela liberação do espaço onde se realizaria a exposição, barrou o título “Mulheres Nuas”, alegando que muitas crianças poderiam comparecer no local e não seria nada bom, principalmente se estivessem acompanhadas de seus pais. “E agora?”, pensei, depois de tanto trabalho para encontrar um nome para o projeto, de repente um empecilho. “Podemos usar outro nome, por exemplo: ‘Mulheres em destaques”, disse-me ela com ar de inteligência, como se fosse seu o projeto. Senti certa barreira particular vindo dela, e logo confirmei minhas suspeitas, ela era religiosa e achara o título obsceno.
Resolvi aceitar, pois o importante era que eu havia conseguido um lugar para fazer a exposição. E não era um lugar qualquer, era um espaço onde grandes artistas expuseram suas obras. Eu estava me sentindo realizado com tudo aquilo. Após marcar a data de realização, avisei os membros do Bar do Escritor. Muitos ficaram eufóricos, contentes ao extremo, principalmente as poetisas. No dia 13 de abril de 2008, fui o primeiro a chegar no local.
Divulgação no Blog Acontece de Curitiba, Paraná
Dei alguns retoques e ouvi muitos parabéns dos funcionários do Poupatempo. Algumas fotografias foram tiradas com funcionários e leitores. Por motivos de compromisso na mesma data da realização da exposição, tive que sair mais cedo e não pude esperar um grupo de amigos do Bar do Escritorr formado pelos poetas: Barbara Leite, Maria Julia Pontes, Carla Abreu, Cesar Veneziani, Anderson H., e a amiga Marina Franciulli.

No dia seguinte a visita foi das poetisas, Rita Medusa e Ivone Fs. Nos momentos em que todos eles compareceram ao local, registraram com fotos.
Allanna Meneses Sanches
Os textos foram expostos em painéis de latão na cor preta com frente de vidro.
Até o momento da primeira exposição, ainda não tínhamos uma logomarca, foi ai que a amiga Marina Franciulli bastante criativa, nos brindou com um Flyer em cor azul, onde mostra uma mulher pousada com os braços abertos em paralelo ao chão e um pano sobrevoando sua cabeça. Um símbolo que caiu bem ao projeto por dar a sensação de liberdade à mulher.

O projeto estava dando certo. Depois da primeira exposição surgiu a segunda, esta fora de São Paulo, no Maranhão. Uma das participantes, Allanna Sanches Menezes, deu a ideia de expor os textos em uma Biblioteca da Universidade Federal UFMA em Imperatriz do Maranhão, onde acontecia o Salimp, na data de 1 a 4 de setembro de 2009. Assim o projeto que havia nascido em São Paulo começou a crescer pelo Brasil afora.

A terceira Exposição aconteceu no CDC, Tide Setubal em São Paulo. Zona Leste, Em seguida vieram várias, inclusive duas organizadas no Estado do Paraná por Sônia Cancine e Iriene Borges, em Cidades diferentes.
Paulinho Dhi Andrade


Logo no início das exposições, resolvi parabenizar as participantes com um certificado de participação. Ao desenhá-lo, o levei para uma gráfica e fiquei surpreso com o valor cobrado, na época a matriz custaria R$40.00 e cada impressão R$ 15.00. Resolvi encomendar o serviço, mas eis que de repente recebo uma notícia muito preocupante da empresa onde trabalhava, demissão em massa. Adiei a encomenda até que eu começasse a receber o salário desemprego, e ao receber a primeira parcela voltei à gráfica. Logo no primeiro mês a situação começou a apertar, desempregado e sem perspectiva alguma de um novo emprego, quase desisti da encomenda completa, eu poderia encomendar a metade e depois a outra parte, mas alguma coisa me mim dizia para continuar. Certo dia a poeta Barbara Leite entrou em contato comigo via celular e quis saber como eu havia conseguido os certificados se eu estava desempregado.
Divulgação do evento no CDC Tíde Setubal - São Paulo
Então eu expliquei tudo e ela ficou brava comigo. Disse que tomaria providências para que todas as meninas do projeto participassem com uma quantia para ajudar a pagar a gráfica, e foi assim que muitas delas ajudaram.

A poeta Carla Abreu também teve um papel muito importante no projeto, ao saber que a amiga Marina Franciulli havia elaborado o Flyer para a exposição, ela encomendou em uma gráfica a sua reprodução em papel cartão para ser distribuído entre os participantes do Sarau Politeama no momento em que fora entregue os certificados.

Apesar dos momentos de alegrias durante todo o momento de exposições, tivemos também dois motivos para ficarmos tristes... as ausências de duas poetas maravilhosas. Primeiramente a Heloisa Galves, criadora da marca infantil Além da Lenda, em seguida a poetisa e artista plástica Angela Oiticica.
Poemas
O falecimento de ambas fiz com que um projeto de livro, com 12 participantes, ficasse parado, pois não havia em nós motivação para dar continuidade. Depois de passar o choque e nos conformarmos com a situação, resolvi seguir o que havia parado, e foi então solicitado da poeta e participante da exposição, Larissa Marques, a produção do primeiro livro dedicados a elas, 1ª Antologia Literária Feminina “Mulheres Nuas”, Editora Utopia.


Assim o projeto segue até a 9ª exposição, e esperamos que volte a caminhar com toda a força de antes...

Aqui tenho a agradecer os amigos que colaboraram para que o projeto desse certo.
Stand de poemas
O primeiro veículo de comunicação utilizado para a divulgação foi a Comunidade Bar do Escritor criada pelo amigo escritor Giovani Iemini. Agradeço também ao escritor Cristiano Deveras pelo imenso apoio com elogios às meninas e suas obras. À Iriene Borges, Sônia Cancine e Allanna Menezes que contribuíram com exposições feitas em suas cidades.

Tem muita gente para ser agradecida... Desculpem-me as que esqueci o nome agora, mas assim que encontrar alguns registros deixarei aqui o nome de todos. Principalmente das participantes...



Segue alguns nomes de participantes:


Allanna Menezes, Barbara Leite, Sônia Cancine, Rosangela Primo, Maria Ligia Ueno, Cristhina Rangel, Rita Medusa, Angela Oiticica, Heloisa Galves, Ivone Fs, Ana Cristina Martins, Larissa Marques, Iriene Borges, Flá Perez, Lili Ribeiro, Érica Cristiane, Maria Julia Pontes, Marcia Mattoso, Regina Zamora, Jessiely Pinheiro, Betty Vidigal, Li Nardi, Clau Assi, Mônica San, Ruth Cassab Brólio, Mariângela Padilha, Rosa Cardoso, Camila Carolina Bonfim, Alana Nunes...
 (sei que faltam muitas, ajudem-me a lembrar, por gentileza.).






1ª Exposição Mulheres Nuas" Poupatempo Corínthians Itaquera SP
Participação com poesias - Exposição Organizada Por Paulinho Dhi Andrade


Flayer
Criação de Marina Franciulli


2ª Exposição"Mulheres Nuas"Biblioteca UFMA Imperatriz do Maranhão
Participação com poesias - Exposição idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Alanna Sanches

Flyer com alteração



3ªExposição"Mulheres Nuas"CDC Tide Setubal São Miguel Paulista SP
Participação com poesias - Organização Paulinho Dhi Andrade

Banner de apresentação CDC Tide Setubal

4ª Exposição "Mulheres Nuas" Biblioteca do Paraná
Participação com poesias - Exposição Idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Sonia Regina Cancine


Poemas


5ª Exposição "Mulheres Nuas"- SALIMP
Participação com poesias - Exposição idealizada por Paulinho Dhi Andrade - Organizada por Alanna Sanches


Homenagem a poetisa Heloisa Galves (in memoriam).


6ª Exposição "Mulheres Nuas"- São Miguel Paulista SP 18 a 20 de 2010
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade


Apresentação da 6ª Exposição



7ªExposição"Mulheres Nuas"- Centro Cultural Guaianases LajeadoSP
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade


Apresentação da 7ª Exposição


8ª Exposição"Mulheres Nuas"- Biblioteca Vicente Paulo Guimarães SP
19 março de 2010
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade


Convite para a 8ª Exposição
Criação de Paulinho Dhi Andrade



9ª Exposição "Mulheres Nuas"EMEF Pe. Emílio Miotti SP 18 março de 2010
Participação com poesias - Exposição organizada por Paulinho Dhi Andrade e Aline Nardi


Entre os escritores, Paulinho Dhi Andrade e Aline Nardi, co-organizadora
da 9ª Exposição em Campinas.


Página da Exposição Facebook: 
https://www.facebook.com/Exposi%C3%A7%C3%A3o-Liter%C3%A1ria-Feminina-Mulheres-Nuas-221383191333301/timeline/