quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Raiva, apenas um instante de raiva e…

 
No grito de revolta calado na garganta
Nas palavras marteladas no orgulho
Raiva… Raiva… É imensa a minha raiva!…
Raiva pobreza que move muita da vida.
Insensibilidade… Essa horrenda praga!…
Chega… Chega de platónicas deceções!
Conceções disformes de uma sociedade
Este mundo cruel não comporta emoções!
Gritos poéticos denunciando a verdade
Não admite poetas e as suas alucinações!
Nele só conta o vil metal e suas aberrações!
 
Vivo com raiva!… Tenho!… Tenho raiva de mim!
Vivo na raiva, da lágrima escorrendo por fim
Em desespero raivoso que banha meu rosto,
Das noites de insônia que me fazem pensar,
Que sou a culpado de todo o meu desgosto!
Raiva de seu eu imbecil, poeta e não me dar!
 
Raiva, apenas um instante de raiva e…
Raiva da humanidade esquecida na vergonha
Orgulhosamente só, dispensável consciência,
Raiva de sozinho sonhar… Escrita perdida
Da Sofia, do Bocage, do O’Neill, do Ary, Gedeão
Onde estão… Raiva… Das palavras esquecidas
Perdidas dispersas no vento, do cristão disfarçado
Do penoso, representação perfeita apaziguadora
De consciências disformes, raiva… um grito…
 
Um instante de raiva… Um narcisista distraído…
Um prometido discurso, um poema ensaiado…
A raiva se dissipa em promessas, apenas
Promessas lavadas na espuma das ondas
Que nesta manhã banham o sonho do ser!...
Apenas mais um raivoso poeta….
Aberto Cuddel®