sábado, 21 de novembro de 2015

Em nome da dor

Fonte da imagem: Google








Em nome da dor,
Em nome do grito.
Em nome da puta santa
Que me expulsou do paraíso.

Em nome do pai,
Em nome do filho.
E dos velhos de batina
Sedutores de meninas e meninos.

Em nome da cruz
De Jesus Cristo.
E dos homens que morreram
Ao seu lado e eram bandidos.

Em nome do sangue nas guerras
Derramados,
Muitas foram as lágrimas das
Mulheres dos soldados.

Em nome de Deus
Os meus pecados.
E a vida infinita para
Sentir-me culpado.

Em nome da culpa e
Do tormento.
Sedutores cuja essência
Me faz esquecer o firmamento.

Em nome da bomba atômica
Calando o sorriso de crianças
Atônitas.

Em nome das mulheres e
Seus maridos.
Carregando no sangue
A “herança” para seus filhos.

Em nome da guerra,
A mais bela arte.
Ceifando trigo e joio
Em um final de tarde.

Em nome do Índio,
Em nome do branco,
Em nome do negro
Acorrentados na senzala atormentados
Pelo próprio medo.

Em nome da chuva ácida e
Da seca no Sertão.
Em nome da chuva que
Deságua em correntezas
Pondo sonhos coloridos ao chão.

Em nome da fome e
Da circunstância adquirida,
Cujo ato tanto abre como
Fecha feridas.

Em nome da nova terra
Prometida por Moisés,
E por todos os mandamentos
Resumidos em dez.

Em nome dos ares e
Toda sua longitude.
E dos gigantes que
Singram os mares
Com toda sua plenitude.

Em nome dos deuses
Perdidos no infinito,
E de todos os demônios
Corrompidos.

Em nome da mãe
Amamentando o filho,
Em sua crença tola que
O mesmo ainda está ligado
Ao seu umbigo.

Paulinho Dhi Andrade
Este poema é da época em que eu assinava como Paulinho Bomfim no Orkut e Recanto das Letras.
Paulinho Bomfim
Enviado por Paulinho Bomfim em 25/06/2007
Código do texto: T540813