sábado, 10 de outubro de 2015

Ramalhete

Fonte da imagem: Google


















(a uma prostituta sem nome, suicida e bêbada.)


Pude ouvir gritos gargantilhos de Stella,
Perdidos entre as rosas que pendiam em cascata.
Jorrados entre púrpuras e amarelas,
Ramalhete numa forma menos exata.

E foi sim do peitoril de uma janela,
Que uma só rosa então por todas vi pender.
Era entre todas a mais bela, Stella,
Sem, no entanto, mais tempo de se arrepender.

Cá embaixo, destoando-me o jardim,
Embrulhada em camisola cardim,
Um corpo branco ali jaz, pleno e sem cor.

Eis que entre as flores balançantes, rancor,
Destrói-me o coração, silêncio sem cor,
E tua imagem olorizada, Jas-mim.


Paulinho Dhi Andrade
14/12/2007