sábado, 26 de setembro de 2015

Lançamento: Ruas de Fogo

Por: Paulinho Dhi Andrade

Alessandro Buzo e eu, todo molhado de chuva
Foto: Tubarão


25 de setembro de 2015
Estive no aniversário e lançamento do livro "Ruas de Fogo" do escritor e cineasta, Alessandro Buzo.

Foi um momento de descontração. Há muito tempo que vinha prometendo comparecer na loja Suburbano Convicto onde acontece todas as terças-feiras o Sarau com o mesmo nome, mas desta vez, mesmo sem condições de falar, não perdi a comemoração de mais um ano de vida e mais um livro de meu Amigo que tenho grande admiração e carinho.
No caminho ao lançamento, quando desci na Estação Anhangabaú do metrô, começou a chover, eu já estava atrasado, então o jeito foi enfrentar a chuva e o resultado disso foi eu me ensopar.
Logo que cheguei à Rua Treze de Maio, deparei-me com um prédio rústico e meio acinzentado, provavelmente pela poluição citadina, eu olhei e achei tudo aquilo muito bacana. Entrei no prédio de número 70, segui pelo corredor que estava escuro mas logo uma lâmpada se acendeu, sensor, e o caminho ficou mais claro. Comecei a subir a escada e tive uma sensação de já ter estado ali, mas sei que nunca estive antes, o que eu sentia era apenas lembranças de um livro lido na adolescência, "Cristiane F. 13 anos, Drogada e Prostituída.". S semi-breu nos lances das escadas fez com que eu "viajasse" com os pensamentos.Continuei subindo deixando para trás os degraus que levariam para o sub-solo, onde estava escrito na parede, "Estúdio". Fiquei curioso para saber como era um estúdio, mas não desci. Ao chegar no 2º andar, logo vi meu amigo Alessandro Buzo. Ele estava de costas, eu o segurei pelo braço e ao virar-se para mim, soltou aquele velho sorriso de paz e alegria. Nos cumprimentamos com apertos de mãos e abraços, mesmo eu estando todo molhado de chuva. Ele já sabia que eu não poderia me comunicar através da fala, devido minha depressão já alcançava três meses sem falar. Nos comunicamos através da escrita o tempo todo.

Alessandro Buzo palestrando
Foto: Paulinho Dhi Andrade
Já havia algumas pessoas no ambiente. Inclusive a presença do Tubarão. Eu não o reconheci de imediato, e também não tivemos um diálogo devido minha condição. No livro "Ruas de Fogo", o Tubarão tem duas participações paralelas, ele narrou dois casos verídicos para o Alessandro Buzo que os transformou em contos. Ambos não quiseram revelar quais eram os contos, fazendo assim com que ficássemos curiosos, o que foi muito bacana, pois rimos bastante em tal momento.


O prestígio do autor de "Ruas de Fogo" é tão grande que um grupo de leitores marcaram presença no lançamento e cumpriu a palavra dada a ele. Tal grupo foram de bicicletas da Cidade Tiradentes Zona Leste de São Paulo para o Bexiga, Centro da Cidade Paulistana. Um ato de devoção muito bonito

O autor deu palestra antes de cortar o bolo. Suas palavras foram de alerta para a juventude e também para os que ainda se arriscam na ilusão das drogas. Contou partes inéditas de seu passado e como conseguiu dar a volta por cima deixando de ser apenas um escritor desconhecido para ser um apresentador de televisão da Rede Globo, depois de ter passado pela TV Cultura, e um escritor conhecido ainda vivo.

Perguntei-lhe quando o livro "Guerreira" se transformaria em filme, ele respondeu sorrindo que provavelmente em breve.

O autor autografando "Ruas de Fogo"
Foto: Paulinho Dhi Andrade
Foi em 1999 que lancei meu primeiro livro de contos intitulado: "A tragédia dos Mentirosos", onde relatei boa parte de minha juventude criminosa. Em 2000 conheci o Alessandro Buzo que havia acabado de lançar seu primeiro livro, "O Trem". Comprei o livro no "Sebo Mutante" onde nossos amigos Jorge Dodi Lins e Jonilson Montalvão eram sócios. Devorei o livro em uma semana. Sempre gostei de ler casos verídicos e o "Trem" era um livro que eu não poderia deixar para trás, principalmente porque fora escrito por alguém que morava no Bairro do Itaim Paulista bem ao lado de onde eu morava, Curuçá Velha.  Até hoje ainda guardo uma imagem chocante que li no livro, a parte onde diz que o autor voltando para casa depois de um longo dia de trabalho, presenciou uma cena muito triste. Ele diz que um senhor de idade estava próximo ao vagão, quando o trem começou a se movimentar, de repente uma mão saiu pela janela e bateu com uma tapa na cabeça calva do idoso fazendo ele perder o equilíbrio, devido o susto, caindo entre o vão da plataforma e o trem perdendo a vida por causa de uma brincadeira estúpida.


Foto: Paulinho Dhi Andrade
 Ontem, dia 25 de setembro, o escritor e cineasta Alessandro Buzo completou seus 43 anos de vida. Sinceramente, desde o momento que o conheci, em 2000, não vi mudança física alguma, continua o mesmo, jovem, ativo e falante como sempre. Sua disposição demonstra que a vida deve ser vivida. O escritor não mede palavras para elogiar sua esposa e seus filhos, sempre deixando claro que uma das maiores provas de amor que sua esposa Marilda deu a ele, foi a confiança naquilo que ele acreditava desde o momento que se conheceram. Ela acreditou e agora vê o resultado de um homem se posicionando na vida, gradativamente, sem que ela seja esquecida em momento algum. Percebe-se em suas palavras que seu brilho não é somente seu, e sim de ambos.

Leitores
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Fiquei muito contente por finalmente conhecer sua loja onde foi comemorado o aniversário e lançamento de seu livro. Apesar de ter enfrentado a chuva, encharcado os sapatos, valeu a pena fazer parte da comemoração natalina de um dos grandes nomes da Literatura Marginal, a nossa Literatura, a nossa Arte, a nossa Voz. incálavel.
Leitores
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Muito obrigado, Alessandro Buzo, por continuar amando a Zona Leste de São Paulo. Por gostar muito do Itaim Paulista, mesmo que o bairro ainda precise melhorar, ainda assim você o vê como parte de sua vida.
Muito obrigado por inspirar muitos jovens a continuarem na escrita, no hip-hop, no teatro e o principal de tudo, na escola. Muito obrigado por demonstrar o valor de seu caráter ao falar de suas vitórias sem denegrir a imagem de ninguém.
A moça com capacete e seu pessoal foram de bicicletas para
lançamento. São moradores da Cidade Tiradentes. Z. L.
Foto: Paulinho Dhi Andrade



Muito obrigado por nos prestigiar em seu aniversário palestrando com depoimentos inéditos e comoventes. Senti que no momento que falava, a emoção tomou conta de muitos ali, eu mesmo me senti comovido, principalmente devido a identificação com os feitos de sua pessoa. Você sabe bem do que estou falando, pois meu passado me condena.




Leitores convidados
Foto: Paulinho Dhi Andrade




Muito obrigado por um dia, que foram meses, você ter me doado um pouco de seu tempo para me escrever cartas de apoio moral quando estive internado em uma clínica de recuperação. Suas palavras escritas, lidas por mim, só me fortificava cada vez mais.


Estante de livros na loja Suburbano Convicto
Foto: Paulinho Dhi Andrade


Agradeço também aos amigos que sempre estiveram ao nosso lado nos momentos tristes e felizes...
O agradecimento maior e bem valioso são para os que nunca deu apoio a um amigo e nunca se prontificou a saber dele, pois eu acredito muito que até aqueles que nos menosprezam acabam nos dando chances de vitórias.

Leitores convidados
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Não quero citar nomes aqui dos amigos que sempre estiveram ao lado um do outro, sei que cometeria um "crime" se esquecesse de alguém. É tanta gente que ficaria a tarde e boa parte da noite digitando seus nomes.
Autografando e conversando com leitor
Foto: Paulinho Dhi Andrade



Filho e esposa do autor
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Filho do autor, eu e um amigo do autor
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Autografando mais livros
Foto: Paulinho Dhi Andrade

Posando para a posteridade
Foto: Paulinho Dhi Andrade




Enfim, fica aqui um grande abraço aos que estiveram presentes fisicamente e aos que fizeram falta.

Por: Paulinho Dhi Andrade


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