quarta-feira, 15 de março de 2017

Não há razão

Não há como dizer que amanhã o novo dia não estará lá
Para acordar suas manhãs

A noite chegará mais cedo do que se pensa

A tarde despertará para que seus caminhos se encontrem
Num repouso abençoado de um abraço...
Mas talvez não de alguém,
E sim daquilo que esteja dentro de você.

O por do sol está lá o esperando de sorrisos abertos
Para que o destino seja apenas
Um fruto de sua imaginação
E o agora...
O grande recomeço.

Aqueles que temem o fracasso mais que tudo
É porque não se declarou a loucura...
Ilustre presença que não teme o próprio fim
Assim como nascer.

O saudoso suspense da vida,
É andar sobre o olhar do desconhecido.

Quem ama ao mesmo tempo não ama
E quem odeia é porque não descobriu
O outro lado de si mesmo.

Distribuir gargalhadas sem nenhum propósito
Pode ser a estrada para que a covardia seja aprisionada
Para sempre no espírito daqueles que se dizem sábios do mundo.

Ninguém possui uma sabedoria convicta de tudo
E a humildade é um dos presentes mais valiosos
Por isso que não é dada a qualquer um.

Nas estradas da vida...
Não há começo, meio ou fim
Ela é apenas uma miragem daquilo que construímos para nós.

Viver exige cuidado...
Mas não perante o presente ou o amanhã.

E sim para que a vida não ganhe traços
De um instante pacato e sem emoções.

Pois viver é isso
Fazer do instante presente
Uma construção para que o futuro
Alcance a graça necessária e
Para que os sentimentos
Ganhe algum sentido contraditório.

E não sejam apenas mais um gole
De uma razão convencional.

Hugo Paz