segunda-feira, 25 de abril de 2016

Reescrevendo os poetas - Miguel Torga

  Quase um Poema de Amor
 
Há muito tempo já que não escrevo um poema
 De amor.
 E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
 A nossa natureza
 Lusitana
 Tem essa humana
 Graça
 Feiticeira
 De tornar de cristal
 A mais sentimental
 E baça
 Bebedeira.
 
Miguel Torga, in 'Diário V'

Um quase poema, de Amor!

Há muito pouco tempo que não te escrevo,
Um poema de Amor.
E se o faço, na delicadeza com que o decido,
É por natureza, latino,
Impetuoso nessa humana
Desgraça, de no cristal de teu corpo,
Tinir, o sentimento
Que me embriaga.


Seja eu fruto do tempo, que passa
Ou apenas tu que me desejas, assim tomado
Pelo desejo no templo do passado
Que me mantem em silêncio,
Coração que salta sem pudor,
-Há muito pouco tempo que não escrevia um quase poema,
De Amor.


Alberto Cuddel

Poema de tributo, reescrevendo Miguel Torga!