terça-feira, 19 de abril de 2016

RAIO X DO MEU CANSAÇO



Mulas sem (pé nem) cabeça

bradam infames discursos
e impropérios cavalares


frente a uma plateia espessa
composta por asnos cultos

e alguns ursos bipolares. . .


soam aplausos e vaias
bravos, urros e insultos

cobras, lagartos, lacraias. . .
organizados tumultos

eu . . . lacrimejo,  bocejo
faço versos . . .  me espreguiço

olho e finjo que não vejo
o espetáculo enfermiço

não bendigo nem praguejo
e observo . . .  quase omisso

o trêmulo Palácio (tão sobejo)
acima do alicerce movediço . . .

é flácido o poder, é falso o viço
não vejo de esperança um só lampejo. . .

a ordem deu lugar ao rebuliço
e o progresso afunda em nosso pejo

queria dizer basta e lacrimejo
bocejo quebrantado, herói mortiço

cansado . . .  não lastimo nem festejo
como se  não fizesse parte disso.


PAULO MIRANDA BARRETO

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