segunda-feira, 21 de março de 2016

Cultivo da poesia!



 Põe-se o sol lá longe
Atlântico distante,
Dourada seara, colheita
Folhas vagueiam ao vento
Suave, de março,
Aqui, precisamente aqui
A ocidente,
Nasce o sol
No orvalho primaveril,
E tudo recomeça!
 
Aram-se as frases,
Aparta-se o texto,
Destoem-se metáforas,
Alegorias, hipérboles,
Palavras, ditongos, monossílabos,
Queimam-se as daninhas,
Apartam-se as rimas,
E semeia-se em terra fértil
A doce e suave poesia!
 
Há poda, enxertia,
Rega, chaça-se aqui e ali,
Retocando, arrancando,
Palavras descuidadas,
Estaca-se um verso florido,
Amarra-se uma rima,
No cuidado, vê-se florir
Uma rima, um soneto,
Uma quadra, um terceto,
O sol aquece, incendeia,
Paixões, partidas, verões
Amores, mudanças, ilusões,
Odes que nascem, florindo
Colhem-se frutos silvestres
Lidos aqui e ali,
Inspiração alheia, sentir
Longínquo, trazido assim
Pela doce e suave brisa,
Aroma do vento sul,
Quente, amadurecido,
Dourando, adocicando
Versos, poemas, odes
Sonetos, e outros assim
Apenas sentidos!
 
Sentado, cansado,
O poeta admira,
Fértil terra da imaginação
Cuidada, acarinhada,
Do nada tudo produz!
E colhe poesia, trazida
Pelo tempo,
Que na terra caiu!
 
Alberto Cuddel

21/03/2016
Dia mundial da poesia!