domingo, 10 de janeiro de 2016

Eu bem que quis acreditar na eternidade...




Tenho-me nas horas vagas como se fosse o vento ocupando o tempo que a cada passo se comprime ao tamborilar meus dedos na esquina de minha perna direita dorida devido à caminhada encurtada pela idéia fixa de que ele crê nele mesmo.
Em plena “águas vivas” projetava-me os pensamentos na crença de uma eternidade promissora. Mas ao alargar meus passos, trouxe-me, eu mesmo, o cansaço prévio.
Às vezes tento combinar o som quase mudo de meu assovio com o som quase surdo dos meus dedos que tamborilam na esquina de meu joelho direito enquanto o vento numa ousadia extrema, mas também simples, opaca-me a visão dando-me o privilégio de enxergar tudo em preto e branco.
E meu sambinha alegremente triste, não tem dó nem ré, somente uns lá lá lás...

Paulinho Dhi Andrade
02/11/2010