domingo, 25 de outubro de 2015

OLHAI OS OLHOS DA RUA




estão no olho da rua.

parece que ninguém vê. . .

alguns aluados, ao léu, sob a lua

e outros mais sábios que eu e você. . .



seriam lesados num mundo de ilesos?

eles sabem  bem quanto dói a verdade. . .

livres pelas ruas, sobrevivem presos

ao trágico desprezo das cidades.



famintos e sujos, não fazem protestos. . .

sonham gentilezas, abraços, sorrisos.

garimpam o lixo, comem nossos restos. . .

e espiam. . . de longe nossos “paraísos” .



dormem nas calçadas ou sob as marquises

enquanto seguimos  á largas passadas

(com casas, comidas e roupas lavadas)

pra longe do clamor dos infelizes.


PAULO MIRANDA BARRETO

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