sábado, 3 de outubro de 2015

MIX: UM NOME & UM DESTINO



Conto de Fantasia Alternativo
Sideless Surcote—A woman's over-gown cut away at the sides from under the arms to the hips to show the cote-hardie or kirtle underneath; it was usually worn with a plastron at the front of the figure. It remained as a ceremonial dress for women during the latter of this period. 

 Mix: Um Nome e Um Destino
 


Mix recebera esse nome, perguntava-se por que.
Ninguém tinha um nome assim...

Um dia, um mago disse aos seus pais quando ela ainda estava no ventre de sua mãe, que teriam que dar esse o nome da criança que nasceria.
Era o destino quem assim queria, pois era seu futuro...

Os pais nada entenderam da premonição do mago.  Mesmo assim, colocaram o nome na menina.
Quanto Mix estava com treze anos sua avó fez uma capinha vermelha combinando com o laço de mesma cor, que carregava sempre amarrando seus cabelos.

Soube-se que uma feiticeira má e muito bela, andava pela floresta, levando as criancinhas para sua casa e   dando de comer ao seu esposo, um lobisomem.

A família de Mix  alertou para que ela e sua irmãzinha ficassem longe da floresta e nunca voltassem para casa à noite, pois o lobisomem em noites de lua cheia ficava mais poderoso do que nunca!

Mix fora colher maçãs naquela tarde.
Havia muitas propriedades abertas e os donos não se importavam, era comum na região:
Pois se não retirassem, cairiam mesmo, estragando no chão.
Estava distraída com sua cestinha, quando uma velhinha aproximou-se e puxou conversa.

- Boa tarde, mocinha. Gosta de maçãs?

- Meus pais dizem para não falar com quem eu não conheço, desculpe. Já estou de saída...
- Calma, calma... que mal uma velha como eu poderia lhe fazer?
- Não sei. O mundo anda tão estranho. Mas estou indo mesmo.

Virou-se e quando menos esperou a velha já estava em sua frente novamente...
Disse então:
- Bem, já que se vai, coma dessa maçã: É a mais suculenta do meu pomar.
- Agradeço, mas comerei depois, pois já comi outras antes. Vou levá-la.
- Que seja!

A velha seguiu para dentro da floresta, onde estava sua casa: Um chalé quase todo coberto de Heras e musgo na cerca.
Mix voltou para casa e contou tudo  para sua mãe.

Ela achou muito estranha a atitude da velha, oferecendo uma maçã, já que Mix tinha ido até lá justamente para colher maçãs e o cestinho já estava cheio.

Pegou então a maçã que a velha ofereceu para a filha e a separou num pote.
A mãe foi categórica:
- Mix, se essa dona aparecer de novo, ofereça essa maçã, vamos ver o que acontece.

Entretanto, na tarde do dia seguinte, Mix saíra novamente para colher várias frutas, e também novamente maçãs.
Sua mãe havia feito uma torta de manhã, com as que havia colhido na tarde anterior.

Um homem muito bonito e de cabelos negros de um tom azulado, peito peludo e voz bem grave, aproximou-se de Mix e disse-lhe:
- Boa tarde, mocinha.

A resposta foi a mesma que dera para a velha.
E já saindo, Mix sentiu a mão do homem bonito sobre seu ombro, que  a impediu de se mover mais.

- Não tenha medo, nada vou lhe fazer. Quero apenas conversar. Viu uma velha estranha por aqui?
- Ontem vi uma sim. Por que pergunta?
- É minha mãe, sabe. Parece que anda meio louca ultimamente. Diz que tem um espelho que a torna jovem e bela quando se olha nele. Agora deu de andar por esses lados, a estou procurando.
- Sim, entendo. Ela até me deu uma maçã ontem...
- Deu? Onde está essa maçã?
- Em casa, em um pote. Minha mãe guardou-a.
- Mocinha tome cuidado para que ninguém a coma, pode estar envenenada! Minha mãe, como disse anda louca por aí...
 - Bem, nesse caso, deixe que me vá rápido... Antes que alguém sem saber, a coma: Tenho uma irmã mais nova e desavisada...
- Vá então, se quiser falar comigo novamente, amanhã estarei por aqui.

Mix não respondeu e saiu em disparada para casa. Encontrou seus pais sentados em volta da mesa da cozinha e a irmã também.
Agradeceu  aos céus, por ela não ter comido da maçã. Relatou toda a conversa que teve com aquele homem para sua família.

A mãe de Mix, dela disse então:
-Vou fazer uma compota dessa maçã, e quando a velha aparecer, você a oferece como retribuição.
- Sim, mamãe.
A velha realmente tornou a aparecer e  surpresa ficou quando viu Mix sã e salva. Esperava que ela estivesse morta já...
Perguntou-lhe então:
- Tudo bem, mocinha? Comeu da maçã?
- Não, meu cachorrinho a comeu. Estou procurando por ele agora, está desaparecido desde  aquele dia.
- Ah, sim...

A velha compreendera tudo: O cão deveria estar morto em algum lugar a essas horas.
- Bem, senhora... Minha mãe preparou uma compota para eu lanchar, mas como a senhora foi tão boa para comigo noutro dia, quero lhe presentear com ela... Tome, aqui está.
- Obrigada, mocinha.
Vou levá-la para comer em casa.
- Sim, até outra hora, senhora.


A velha fez um aceno, mas visivelmente chateada. Queria levar aquela menina de comida para seu lobisomem.
Foi para seu chalé, enquanto ao longe escutava Mix cantando:

" EU VOU, EU VOU PARA CASA AGORA EU VOU"...

Quando abriu a porta, deu de cara com seu espelho mágico. Assim que levantou  a capa que o encobria, tornou-se a bela feiticeira à espera da chegada do seu esposo.

O lobisomem voltava de uma caçada quando viu o pote com a compota sobre  a mesa. Disse então:
- Temos doce para a sobremesa, mulher?
- Sim, uma compota. Provemos agora.

Eles provaram no pote mesmo e caíram por terra.
Mix lembrara-se de que o homem bonito disse que a velha era sua mãe.

De súbito, correu até o chalé porque não queria que nada acontecesse ao homem que lhe avisara do perigo!

Ao abrir a porta que ficara encostada, ela viu o casal no chão. Em vez de uma velha, encontrara uma bela mulher ali, ao lado do homem que conhecera.
Foi até ele e viu seus lábios com um tom roxo e uma vontade louca apossou-se dela: Beijá-lo!
Sim, ele poderia estar morto, mas ainda era muito bonito.

Não conteve o desejo: Beijou suavemente os lábios daquele homem, que incrivelmente retornara do mundo dos mortos, para sorrir novamente...

Ela, abismada com aquilo, arregalou os olhos com espanto. O homem levantou-se ainda cambaleante e disse-lhe:
- Somente um carinho ou beijo sincero poderia fazer tal coisa! Acaba de libertar-me dessa maldição que a feiticeira me impôs por séculos!
Mix disse gaguejando:

- E-ela na não é sua mãe?
- Não, nada disso. Era uma feiticeira que apenas se transformava em bela e jovem quando se olhava naquele espelho mágico. Sou um caçador. Vi um lobo na floresta e o matei. Era seu esposo, um lobisomem! Ela pegou os dentes dele, cravando na minha carne e dizendo umas palavras de bruxa, fez com que me tornasse um lobisomem também.
Fui amaldiçoado com isso durante séculos, mas uma fada disse-me que se eu fosse beijado sinceramente por uma donzela, sem que ela não tivesse medo de mim, estaria salvo!
- Bem, então lhe fiz um grande favor sem saber...
A propósito:  Sou Mix.
- Sim, e agora quero desposá-la, Mix, aceita? Sou Feliciano.

- Ainda sou muito nova, Feliciano... Meus pais não me deixariam casar agora, falta pelo menos uns três anos a mais... Sabe, aqui no lugarejo, as moças casam com dezesseis...
- Podemos dar um jeito nisso... Vá até o espelho mágico, e imagine como queria estar com essa idade.

Mix foi até o espelho e imaginou-se uma jovem de 16 anos, pronta para casar.
E vupt! Lá estava seu corpo e semblante de moça mudados.

Rumaram para a casa paterna.
Quando chegaram, seus pais levaram um susto com a filha mudada.
Entretanto, depois do relato da filha, ficou certo de que o destino havia se cumprido e que eles haviam nascido um para o outro.

O casamento foi realizado. Mix sabia agora, a razão de seu nome:

Ela representava uma 'mistura' de 'BRANCA DE NEVE' com
'CHAPEUZINHO VERMELHO'.