sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Mariângela Padilha

Mariângela Padilha (Me Morte)
O Diário dos Escritores entrevista a escritora Mariângela Padilha, conhecida também pelo codinome, Me Morte.











Nome, pseudônimo, cidade natal e data de nascimento.

Mariângela: Mariângela Padilha, Me Morte, 29/05/1960


 Quando e como despertou o interesse pela literatura?

Mariângela: Quando tinha cinco anos eu dizia que seria escritora, depois na adolescência comecei com os poemas e somente adulta com a prosa. Sempre gostei de ler, porém somente depois dos 40 anos comecei a investir e divulgar meus escritos.
Sempre fui uma escritora de gaveta.


 Acredita em um futuro promissor como escritora?

Mariângela: Não! Vejo-me uma escritora medíocre, acho que gosto mesmo é de brincar, ousar, colocar pra fora. Não me curto muito nessa área. Eu gostaria de dizer muita coisa e não digo, então acabo escrevendo.
Não me acho uma escritora foda, escrevo conforme tenho necessidade de expressar coisas que não falo. O estilo lenda urbana é o melhor de mim, o resto é pura enganação. Vivência que acabou nos papéis. `E isso.


 O que acha que deve melhorar no ensino público em relação a nossa língua portuguesa?

Mariângela: Acredito que o ensino público não seja tão enganado.
Aqui na minha cidade se você quer uma base boa para uma Faculdade tem que pagar e fazer cursinhos.
O aluno não fica preso, motivado, acho que é a expressão que melhor se encaixa aqui...
Não há motivação para segurar o aluno em sala de aula. Pra você ter uma ideia, aqui quando falta professor eles ficam na boa, no ensino particular é diferente, eles tem atividades caso falte algum mestre. Eu não vejo com bons olhos o ensino publico, talvez essa motivação comece lá em cima, no investimento que não vem para alunos e professores por parte do Governo e quando vem, não é concluído, como no caso dos alunos que estavam no exterior e recentemente tiveram que voltar por falta de verba.
Para falar a verdade, tem que mudar muita coisa!


 O que pensa a respeito do programa do Governo sobre Cotas para a inclusão de alunos de cor negra para uma Faculdade? Seria uma armação do Governo para ser bem visto no Exterior ou uma forma racista de fazer com que finalmente cada um enxergue seu problema?

Mariângela: Se pensarmos na Educação Superior, 10 anos atrás, veremos que pouquíssimas pessoas tinham acesso a ela e isso sempre envolvia dinheiro. Hoje temos muita gente se formando, inclusive pessoas que não tiveram chance no passado e correm atrás do prejuízo hoje. Eu digo que hoje só não estuda quem não quer e as cotas tiveram sua parcela de contribuição nessa mudança.
Que foi uma medida racista e eleitoreira, claro que foi. Aliás, tudo que foi feito no atual Governo foi sem boas intenções, pode apostar, mas que ajudou, é fato. Não sou contra, só acho que muitas outras medidas poderiam ser tomadas a fim de se combater essa desigualdade imensa e a discriminação no nosso país.


 A China, havia se mostrado grande aliada do Brasil em expansão comercial, de repente teve um declínio financeiro assim como teve também quase toda a Europa. Sendo o Brasil líder no Mercosul, acredita que essa seria a melhor hora para o país dar um salto e tentar deixar de ser visto como país de terceiro mundo?

Mariângela: Cara, eu torcia para o Brasil dar essa arrancada, porém de uns tempos pra cá os governantes sujaram muito a imagem do Brasil lá fora. Se você assiste a TV fechada assusta de ver como somos vistos agora, como uma país de corrupção, falcatruas e todo o  resto. Como ter credibilidade? Um Governo que não investiu, que não se mostrou preparado e que vem tomando medidas paliativas para derrotar a crise. Setores como saúde, segurança pública, educação e outros, sem fundos, um caos! Sinceramente, primeiro tem que mudar a cúpula, para depois se pensar em dar desses saltos rumo ao sucesso lá fora.


 O que pensa a respeito da grande demanda de publicações de livros, impressos e digitais, que estão cada vez mais populares? Acha ser uma oportunidade para autores que não encontraram alguma oportunidade de mostrar sua arte de outra forma?

Mariângela: Com certeza! A internet e as publicações de livros impressos, sob demanda, tornaram possível realizar o sonho de tanta gente, inclusive o meu, que foi publicar um livro como A lenda do Corpo Seco, que publiquei. Os e-books nem se fale, muito se facilitou, no tocante a divulgação. Tenho vários e foram primordiais para que eu ficasse conhecida literariamente e me abrissem tantas portas e parcerias. Não sou como tantos que preferem a maneira tradicional de um livro impresso,  acho que a modernidade tem que ser acompanhada ou corremos o risco de ficar no esquecimento. Claro que não dispenso meus livros de cabeceira, tenho sempre, porém no computador tenho muito mais.


 Qual poeta ou escritor clássico indicaria a um amigo bem quisto?

Mariângela: Eu amo Machado de Assis pelo seu modo de escrever, porém sei que não é fácil, toda vez que li tive que usar o dicionário e tem gente que não curte isso. Então, eu indicaria aquele que me fez viajar tantas vezes, Monteiro Lobato. Amo ler Monteiro Lobato muito mais que os que inspiraram meu estilo gótico, como Allan Poe, que é o máximo!


 Sobre a nova moda musical, Funk carioca e Funk ostentação, o que tem a dizer?

Mariângela: Definitivamente não gosto de funk, se toca vou pra longe, porém não tem como negar que é uma questão cultural. Da mesma forma que aqui em minas temos o sertanejo raiz, o samba é tradicional do Brasil, o tango da argentina, o axé da Bahia...Mas não curto funk e não acho legal funk ostentação, porque me remete a música Black dos EUA e tenho pavor dessa onda que se cria a partir de coisas americanas, cheira imitação. Se você ver os clipes de 50 Cents, 2 Pac, Eminem, etc...Pura ostentação, carrões, muito ouro e mulheres. Percebe? Igual! Isso é muito ruim.


 São Paulo, assim como outras Cidades brasileiras, está repleta de eventos culturais promovidos por iniciativa própria de artistas marginais. Acredita que uma intervenção financeira, patrocínio, do Ministério da Cultura, ajudaria a crescer e melhorar tais eventos ou correria o sério risco de desvio de verbas: Pois parece que em tudo que envolve dinheiro há corrupção..

Mariângela: Tudo que envolve dinheiro demanda corrupção atualmente. Parece exagero dizer isso, mas acredite, não é. Trabalho na Prefeitura e aqui o Governo é do mesmo partido que o de Brasília, por isso meu descrédito. Acho que os eventos culturais marginais são o que de melhor temos atualmente e precisamos injetar dinheiro neles mesmo. Mas, não acredito que isso aconteça da forma que tem que ser com os atuais detentores do poder. Não mesmo! Outros interesses estão em jogo e se um edital desse porte se abre, será um apadrinhamento de norte a sul, sem se ater ao verdadeiro merecedor do tal patrocínio.


 Além do inglês, qual língua sugeriria à educação pública?

Mariângela: Espanhol, claro, antes mesmo do inglês deveria ser ensinada.
Acho que abriria muitas portas para brasileiros que se aventurassem fora do país.


 A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, deveria ser obrigatória? Em quais setores?

Mariângela: Em todos, inclusive no primário. A inclusão começa por aí. Eu fiz um breve curso e pretendo fazer outro mais completo. Se temos irmãos que precisam se comunicar assim, muito certo que a gente precise também saber LIBRAS para se comunicar com eles.


Acredita que os Surdos-mudos, deveriam ter um espaço reservado ou a possibilidade de incluí-los junto aos não Surdos-mudos lhes proporcionariam maior convivência com a Sociedade a ponto de não se sentirem isolados do Mundo?

Mariângela: O projeto inclusão nas escolas tenta fazer isso, colocá-los com pessoas sem deficiência, porém, foi muito mal estruturado, fazendo com que o efeito fosse contrário, em vez de inclusivo, tornou-se mais exclusivo ainda. Não prepararam as professoras para lidar com eles e simplesmente os jogaram lá, entre alunos sem deficiência e entre muito preconceito.
E o pior, agora já cogitam acabar com as APAES, o caos.


 Qual seria o livro que a Mariângela Padilha se presentearia Hoje?

Mariângela: Qualquer um que falasse da vida após a morte. De preferência um romance.


 Com poucas palavras, diga quem é Mariângela Padilha.

Mariângela: Mariângela Padilha é uma pessoa que ama desde os doze anos, que sabe que é amada, que é feliz por isso e que falta pouco para ser mais feliz! Uma lutadora!
Apanhei, bati, caí e levantei. Essa sou eu.