quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Imagens do 1º lançamento do livro "Eu te amo, papai".



O primeiro lançamento do livro "Eu te amo, papai", aconteceu em São Paulo no Julinho Clube em 2014.
No dia do lançamento acontecia o tradicional Eita! Sarau, organizado pela poetisa Ana Cristina Martins e Joyce Néia. Diversos artistas estiveram presentes mostrando o que sabem fazer entre tantas outras coisas boas, a arte.











Com a poetisa Mariela Mei
 Antes de o livro ser editado pela Chiado Editora de Portugal, o autor acreditou na publicação independente produzindo sua edição, formato papel,  através da plataforma Clube do Livro. Para modelo de capa fora escolhida a própria protagonista da história, Thainan Castro, amiga do autor.
O convite surgiu a partir de determinada visita à casa de Thainan, era seu aniversário, quando acontecia um almoço comemorativo. Paulinho Dhi Andrade, por achar que havia sido pego de surpresa, acabou lhe oferecendo de presente a oportunidade de ser a capa de seu próximo livro. E assim aconteceu. A primeira edição independente foi vendida via internet, e muitos amigos compraram e debateram o assunto, tema, narrado na história, tais como: Amor, Perdão, Amizade e Reencarnação.


O autor explica como e porquê escreveu o livro "Eu te amo, papai".

Eu estava praticamente acabado, na cama, doente depressivamente... meses antes estive na casa de minha amiga Thainan, a protagonista do livro, era seu aniversário e por não ter um presente para dar a ela, ofereci-lhe a capa do próximo livro que escrevesse. Ela ficou muito contente, pois nem eu nem ela jamais tínhamos ouvido falar que alguém ganhara um presente assim. Na verdade, eu ainda não tinha planos para um novo livro, tudo dependeria se eu escrevesse algo um dia.

Logo que adoeci quase ao extremo, coisas absurdas começaram a invadir minha mente. Meus pensamentos eram sombrios em relação a minha pessoa. Comecei a relembrar coisas ruins que havia feito na vida quando era jovem, nos caminhos tortos, nos sonhos não conquistados, nos problemas com meu emprego, tristeza que sempre dei à família, parentes que eu já nem visitava mais, amigos cuja imagem era a minha refletida num espelho, mentirosos, viciados, hipócritas... e meus filhos longe de mim.


Ambiente aguardando os artistas e convidados
Toda vez que me sentia frágil, caia de cama e me entregava ao desespero. Chorava, grunhia, falava sozinho, ria de mim mesmo.
Psiquiatras e psicólogos já não me valiam nada. Era sempre a mesma coisa, perguntas sem sentidos, sem rumo, sem direção alguma. Remédios e mais remédios... só remédios. Eles me drogavam o tempo todo e ainda queriam, e querem, que eu melhorasse a saúde.

Muitas pessoas sabendo de meu estado, tentaram me levar para igrejas, centros espíritas e outros lugares com a boa intenção de me ajudar, mas eu sempre acabava numa psiquiatria de um hospital. Quando algum religioso se aproximava, logo eu sentia que não ia gostar de ouvir o que me falaria, dito e feito, "Irmão, não deixe o demônio tomar conta de sua vida. Ele vai te destruir.", e eu sem paciência, tentava me esquivar, mas parecia ser impossível. Algumas vezes até aceitei ir a uma igreja evangélica, outras fui em centros Kardecistas, mas dentro de mim havia algo que não me era possível controlar, a descrença.

Julinho Clube
Céu, inferno, purgatório, umbral... quem estava certo? Olho por olho, perdão... tanta coisa me abalava a alma, (se é que eu acreditasse mesmo nisso.), que a única saída que eu via era me esconder do mundo.

Sim, eu estava lá, na cama, caído e chorando muito. Chegara o grande momento. Dessa vez eu não falharia como acontecera das outras vezes. Seria fatal e indolor... se doesse, seria rápido. Resolvi escrever algo para me despedir de tudo e de todos. Pus-me ao computador e meus dedos digitavam como se eu não tivesse controle. Quando percebi o que estava fazendo, já estava bem além de uma simples despedida, eu havia começado uma história... relembrando minha vida triste desde a infância quando eu nem sabia o que sofria, pois para mim, era tudo felicidades na época. Comecei a lembrar de muita coisa desde a morte de meu pai, quando eu ainda não sabia o que era morte. "Seu pai tá dormindo, Paulinho.", disse minha avó quando lhe perguntei o que havia acontecido com ele. Minhas lembranças passaram pelos dias, meses e anos em que fui um menor delinquente. Casamento, filhos, bebedeiras... de repente, o que me veio a mente foi a minha amiga Thainan. Comecei a ter uma forte impressão de que já nos conhecíamos de outros lugares, mas isso me fugia um pouco da razão devido eu a conhecer desde criança e não seria possível eu a ter visto em outro lugar de forma adulta. 
Declamadores autorais
O interessante em tudo isso é que eu tinha lembranças, (sonhos, visões ou pensamentos fixos...), onde ela era minha filha amada, e isso foi o que me impediu de levar adiante a paixão que nutria por ela. Eu jamais me sentiria bem se tentasse algo acreditando que ela fora minha filha um dia. Mesmo que eu não acreditasse, preferi não a incomodar com tais sentimentos de homem para mulher, pois dei mais valor para sua amizade e isso me valeu a pena, hoje ela é muito feliz com alguém que eu cheguei a ter uma outra forte impressão, eu seria filho dela um dia e se seu atual companheiro estiver ao seu lado, será meu pai..  Quando tais sensações começaram a ficar cada vez mais forte, resolvi escrever junto com as lembranças escritas antes. E assim foi gerando um livro que durante trinta e oito dias eu digitei todas as noites ouvindo "Ave Maria" de Schubert.

Ana Cristina Martins
Organizadora do Eita! Sarau
Tais coisas acontecidas comigo só me deixava cada vez mais doente. Eu vivia me perguntando: "Cadê Deus?" "Onde Ele está quando preciso?" E os que me falavam de Deus, de amor, paz, alegria, perdão, na verdade não me mostravam nada disso... eram todos de má atitudes. Toda vez que vinham me falar de Deus, era sempre a mesma coisa, "Não deixe o demônio tomar conta de sua vida, irmão.", "Olha, quando eu não tinha Jesus no coração, eu não tinha nada. Não tinha casa, carro, mulher, dinheiro no banco...".

Cheguei a tal ponto de não me sentir bem toda vez que um religioso se aproximava, católicos, evangélicos, espíritas, budistas... para mim eram todos iguais... mentirosos, espertalhões, hipócritas...

Meu conflito com Deus me enlouquecia. Nunca aceitei a morte, e talvez por isso eu sempre ia parar em uma ala psiquiátrica toda vez que um ente querido morria. Geralmente eu adoecia antes do ocorrido, sentia-me abalado, ansioso, triste, sem fome, sem sede... e logo em seguida, dois ou três meses, morria alguém que eu gostava muito. Toda vez acontecia isso. Comecei a prestar mais atenção.
Declamadores autorais
Eu nunca tive a certeza da existência de Deus e não queria ter, e ainda tenho minhas dúvidas. Mesmo assim escrevi um livro onde parece que eu o idolatro, "hipócrita".

Não foi hipocrisia quando em 1998 (?), dois dias antes do natal, saí de casa as 03:30 da manhã rumo a Cidade de Aparecida do Norte com a intenção de pagar uma promessa para curar a dor de cabeça de minha ex-namorada Vera Lúcia. Devido uma operação, passou a ter dor crônica. Eu não acreditava em milagres, mas ela e toda sua família acreditavam, e foi por ela que eu me aventurei.  Passei por momentos de desespero no caminho quando acabou a comida, dinheiro, água e o cigarro. Tal aventura eu narro por inteira no livro.


Com Joyce Néia
Uma das organizadoras do Eita! Sarau
Boa parte de minha vida fora acometida por uma depressão irresistível. Lembro de uma noite, duas horas da madrugada, quando eu estava muito doente e havia decidido terminar com tudo. Tentei me levantar mas não conseguia, pois meu corpo pesava muito. Comecei a sentir dores no corpo e muita falta de ar. Cheguei a pensar que estava morrendo ali na cama. Uma tristeza enorme me acometeu e comecei a chorar, eu queria acabar com tudo. De repente, por baixo do cobertor, ouvi duas vozes estranhas. Eu não conhecia aquelas vozes. 
Duvidei que fosse alguém me visitando, amigas de minha mãe, já era tarde. Descobri o rosto e vi duas senhoras vestidas de branco ao lado de minha cama. Elas tinham o semblante dócil, um leve sorriso no canto da boca e uma voz suave. Suas roupas eram brancas e o quarto parecia estar azulado, pois dormimos com as luzes apagadas. Minha mãe dormia em sua cama, moramos apenas eu e ela.Tentei falar alguma coisa querendo saber quem eram mas não conseguia falar. Uma delas, a que estava do lado direito, disse: "Ele está muito mal, vamos fazer uma prece.". E quando começaram a prece, não vi mais nada. No dia seguinte, acordei mais disposto, sem dores no corpo, com fome, com sede e vontade de caminhar...

Ambiente com os expectadores do Eita! Sarau.
Não sei porque escrevi o livro. Não sei porque acredito ser ateu. Não sei porque uma pergunta me fascina tanto que eu insisto em me perguntar como se perguntasse a outra pessoa. "O rio, sobe ou desce?". Parece que já fiz tal pergunta no passado encantatório, e tive uma resposta. Mas, ainda tendo quase a certeza de que sei a resposta, continuo me perguntando: "O rio, sobe ou desce?".

Talvez o ato de escrever o livro tenha salvado minha vida, ou me condenado a viver eternamente doente, ouvindo vozes, vendo gente que outros não veem e... que a vida siga em frente.


Saiba um pouco mais sobre o autor:

Biografia;
Paulinho Dhi Andrade
Paulo César Batista Bomfim
(Paulinho Bomfim passou a ser chamado de: Paulinho Dhi Andrade em meados de 2006/07)
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Por: Ruy de Oliveira;
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Filho do frentista Ruy Silva Bomfim e da empregada doméstica Eunice Batista Bomfim, ambos baianos, ficou órfão de pai aos 6 anos de idade. Aos sete entrou para uma escola estadual, onde se tornou repetente logo no 1° ano escolar por duas vezes. Após passar para o 2° ano escolar teve o mesmo problema. Na verdade o garoto não prestava muita atenção às aulas, e o motivo parecia ser a fome que o atormentava constantemente. Pois numa casa onde uma família com 6 crianças em que todos passavam fome devido não haver nem mesmo pão velho para comer, ficava difícil para se manter atento a qualquer atividade.
Paulinho e seus irmãos apanhavam muito do padastro e de alguns parentes que se achavam no direito de repreendê-los com agressões físicas. Aos 11 anos, em 1979, mudou-se para a Zona Leste de São Paulo, especificamente para a cidade de São Miguel Paulista. A princípio odiou tudo aquilo. Pois São Miguel Paulista era praticamente o oposto da cidade de Embu das Artes, sua cidade natal. Aos poucos foi se habituando ao novo bairro.
Julinho Clube
Aos 15 anos durante um curso de pintor letrista em uma escola profissionalizante do governo, recebeu do diretor um exemplar do livro "Coração de onça" da coleção vaga-lume por ter sido o aluno que mais freqüentou a biblioteca num período de quatro meses. A partir daí Paulinho começou a se interessar mais pela leitura, chegando a produzir seus primeiros poemas. E a leitura lhe foi bastante útil fazendo com que o mesmo se interessasse por muitos outros títulos tais como: ciências ocultas, filosófica, religiosas, psicológicas e artes em geral.
Desde a mais tenra idade já demonstrava aptidão para o desenho artístico tornando se autodidata no ofício passando assim a desenhar retratos de pessoas famosas da época tais como: Menudos e Michael Jackson vendendo seus desenhos para os colegas da escola estadual Pedro Viriato Parigot de Souza onde estudava desde 1980.

Julinho Clube
Foi aos treze anos que o menino que já dava problemas na escola devido ao seu gênio e mau comportamento, teve seu primeiro contato com entorpecentes. Aos 17 foi parar na FEBEM por duas vezes num espaço de dois meses por ter cometido assaltos a mão armada nas ruas de São Miguel Paulista. Dentro da unidade da FEBEM, teve um tremendo choque ao conhecer dois garotos que após uma curta conversa ergueram suas camisas e mostraram-lhe suas barrigas cheias de bolhas d’água com algumas formigas encolhidas como se fossem fetos em bolsas de placenta. Os policiais que os haviam pegos os deitaram em um formigueiro para fazê-los confessar onde estava a arma que supostamente usaram para cometer um assalto.

Julinho Clube
Aos dezoito anos após algum tempo usando entorpecentes, resolveu parar de vez e começou a praticar esporte. Durante cinco anos praticou Kung-fu chegando a receber medalha de prata em um campeonato municipal. Durante essa época casou-se com Miriane Carolina de Aragão, tendo com a mesma, três filhos; Camila, Caio e Karina. Seu casamento desde cedo passou a ser conturbado, pois os gênios de ambos não eram compatíveis. Foram quatro separações num período de 15 anos, e uma delas durou cerca de quatro anos. Foi durante essa separação de quatro anos que Paulinho conheceu uma amiga que logo se tornou sua nova namorada tendo com a mesma um relacionamento de dois anos.

Grupo de cantores, músicos e atores de teatro
Vera Lúcia havia feito uma operação para retirar um tumor da cabeça, e após a cirurgia a mesma passou a ter dores constantes no local da operação, sendo que nem mesmo os médicos conseguiam lhe ajudar a amenizar tal incomodo. Paulinho talvez por ter sofrido muito na vida havia se tornado um tanto cético em relação a milagres, mas como sua namorada e toda sua família possuía crença religiosa, o mesmo resolveu fazer uma promessa por ela. Ele foi caminhando da cidade de São Miguel Paulista até a cidade de N. S. Aparecida do Norte, onde rezou e acendeu velas cumprindo sua palavra para que a enxaqueca que tanto incomodava sua namorada tivesse um fim. A família de Vera Lúcia ficou admirada com tamanha coragem e demonstração de carinho que Paulinho demonstrou à Vera Lúcia, principalmente vindo de alguém que vivia dizendo não ter religião ou qualquer afeto religioso. O interessante em tudo isso é que a dor de cabeça de Vera Lúcia realmente teve fim.

Com o poeta Ruy Vilani  e sua esposa a
poetisa Ruth Cassab Brólio
Após sete anos de abstinência, Paulinho voltou a usar drogas constantemente. Atraído pelo submundo do crime, Paulinho quase acabou com a própria vida devido ao uso demasiado de cocaína e álcool. Em 2000 foi internado em uma clínica psiquiátrica por cinco meses, voltando a usar drogas assim que se viu livre novamente. Foi durante essa internação que conheceu o psiquiatra Dr. Roberto, que o presenteou com um livro de Albert Camur, "O estrangeiro" e "A peste". Passou a consumir tanta droga que se endividou com traficantes. Talvez a única maneira que o mesmo encontrou para saldar tais dividendos foi trabalhando para os mesmos.
Autografando o livro
Após sua quarta "Overdose" e várias internações na ala psiquiátrica do hospital Santa Marcelina no bairro de Itaim Paulista, aceitou ser internado em uma clínica evangélica na cidade de São Vicente litoral paulista. Não suportando o regime da mesma, pois achava ridículo louvar a um Deus que supostamente o havia abandonado, ameaçou cometer suicídio. Acabou sendo excluído do local. Após duas semanas em, 25 de janeiro de 2004, aceitou visitar o Instituto Phoenix, uma clínica de recuperação para dependentes químicos em Bragança Paulista, interior de São Paulo, e acabou ficando por lá mesmo num período de sete meses. Após tal período de tratamento Paulinho deixou de usar drogas. Wagner, o dono da clínica demonstrou não ser apenas um empresário, mas sim um grande amigo de Paulinho, pois o mesmo demonstrou-se grande admirador de seus trabalhos literários.
Julinho Clube
Inúmeras pessoas fizeram e fazem parte da vida de Paulinho Dhi Andrade, tais como: O jornalista Luís Mário, o artista plástico e escultor Juarez Martins, o ator e diretor de teatro Cristiano Vieira, seu irmão caçula Sidney Bomfim, ator e artesão, cujos bonecos (mamulengos), estão espalhados pelo Brasil a fora. Cida Santos, escritora e socióloga. Sacha Arcanjo, grande organizador de eventos culturais na Zona Leste de São Paulo. Zulú, cantor e compositor, Cauê Bonifácio, grande ator de teatro, professor de história e geografia. Aluizio Alves Filho, grande escritor carioca. A excelente professora de literatura dona Eliana, grande admiradora de seus poemas. O professor de literatura Gilberto e sua esposa Carmelita. O escritor Alessandro Buzo e o crítico literário Jonilsom Montalvão. E modéstia parte, eu, Ruy de Oliveira.
Paulinho Dhi Andrade teve muita influência dos livros adquiridos em sebos. Boa parte de seus poemas refletem um aprendizado anti-religioso, talvez até anticristão. Não pelo fato de não crer em um Deus, mas sim por não aceitar certos critérios religiosos impostos por "pseudos-santos" que se acham iluminados por uma luz divina. Há quem o considere discípulo de NIETZSCHE, outros o consideram louco. Eu particularmente o considero original.
Os livros
O escritor carioca Aluizio Alves Filho e a escritora Cida Santos o compararam ao dramaturgo Plínio Marcos. Paulinho tem como favoritos os poetas e escritores, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Nietzsche, Schopenhauer, Albert Camur e ele mesmo.
Em 1990 fez um curso por correspondência para aprender a linguagem técnica de desenho artístico e publicitário, curso este que lhe deu maior intimidade com a arte e o propiciou a trabalhar na área de propaganda visual. Em 1992, apaixonado por "Agatha Christie" fez um curso de Detetive Particular, mas nunca exerceu a profissão. Por outro lado, aprendeu algumas técnicas de investigações, principalmente o fator psicológico de um criminoso. Daí em diante, se interessou muito mais por romances policiais e acabou escrevendo dois contos de cunho detetivesco, "Quem matou dona Izaura?" e "A casa de Helena”.

O autor e sua obra
Em 1999, com material suficiente para produzir um livro de contos, Paulinho endividado até o pescoço, teve que contar com a ajuda de amigos para pagar a editora. Seus amigos que trabalhavam no mesmo Hipermercado juntaram "latinhas" para que ele reciclasse e assim conseguisse pagar o editor. Na época ele ainda estava separado de Miriane Carolina, mesmo assim a mesma o ajudou com uma pequena quantia que possibilitou a produção de 300 livros com 60 páginas, intitulada: "A tragédia dos mentirosos". Em 2003, fez um curso de literatura portuguesa e brasileira por correspondência num período de dois anos.
Julinho Clube
Paulinho é muito agradecido à sua ex-esposa Miriane Carolina, a seu irmão Sidney Bomfim e à sua irmã Rosemeire Bomfim por tê-lo ajudado a se livrar das drogas. A ajuda foi tão valida que até mesmo o cigarro ele deixou de lado. Parou de fumar no dia 02 de janeiro de 2005.

Até o dado momento, a vida de Paulinho Dhi Andrade vem sendo abalada pela depressão. O isolamento tornou-se constante em sua vida. O fato de não poder mais beber ou usar outro tipo de alucinógeno o faz ficar em casa, sem poder participar nem mesmo de pequenas festas infantis. O acumulo de perdas e dores emocionais o fizeram ter medo da própria vida. Certa vez eu o encontrei chorando sentado em um banco de uma praça e lhe perguntei qual o motivo das lágrimas. O mesmo me respondeu com outra pergunta: "Se você tivesse duas opções, chorar ou matar alguém, qual delas você escolheria?" Respondi que preferiria matar alguém. Ele então me olhou bem nos olhos e se levantou. 
Julinho Clube
Em seguida foi embora me deixando sozinho na praça, era uma quinta-feira e o tempo estava nublado. Essa foi a última vez que o vi, nunca mais nos encontramos. A última notícia que tive dele foi através de uma amiga nossa. Fiquei sabendo que o mesmo estava detido em uma delegacia de policia por ter agredido dois policiais militares após ter discutido com sua ex-esposa Miriane. A mesma havia ficado assustada com a discussão e chamou uma viatura. Segundo a versão de Paulinho, um dos policiais o ofendeu chamando-o de "negrínho safado", isso foi o suficiente para que os policiais militares tomassem prejuízos nas mãos de um homem que não aceita de forma alguma ter sua raça ofendida. Paulinho foi autuado e assinou dois artigos, um por agressão e outro por desacato.

Julinho Clube
Apesar de não ter uma religião, e não aceitar certos critérios religiosos, Paulinho possui um bom coração, pois o mesmo está sempre fazendo algo pelo próximo. Está sempre disposto a ajudar os menos favorecidos. Certa vez eu estava em meu pequeno barraco sem nada para comer, quando ele chegou trazendo às costas uma cesta básica de tamanho médio. Seus sapatos estavam cobertos de lama. Ele despede o garoto que lhe mostrara onde eu morava dando-lhe uma moeda e entra sem cerimônias. Cumprimentamo-nos e começamos um dialogo formal e amistoso. Tomamos café fresco feito por ele, pois se tinha uma coisa que ele não gostava era do meu café. Segundo ele, somente sua filha Camila Carolina sabia fazer café melhor que o seu. Rimos muito disso. Depois ele foi embora de baixo de uma garoa fina deixando sobre a mesa uma quantia suficiente para eu comprar gás de cozinha que já estava acabando e um pequeno bilhete onde estava escrito: "FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMIGO". Era 02 de abril de 2005.
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Poetisa Mariela Mei

Ruy de Oliveira, ex-morador da favela Pantanal no Itaim Paulista, foi encontrado morto em seu barraco numa cama feita com tijolos de barro. Foi constatado que o álcool enfraquecera seu coração e arruinara seu fígado. No local foram encontrados muitos livros de suma importância filosófica e poética. O texto biográfico de Paulinho Dhi Andrade foi encontrado dentro de um exemplar de "A tragédia dos mentirosos". Ao lado de sua cama havia uma garrafa de plástico com uma pequena quantidade de bebida alcoólica Morreu alguns dias antes de completar 37 anos de vida, no dia 23 de março de 2006, dia que Paulinho Dhi Andrade aniversariava.




Publicado em 13 de dez de 2014
Sarau da Casa Amarela (30º) Organizado por  Akira Yamasaki Escobar Franelas em 30 11 2014. Edição especial em homenagem ao grande cantor Antonio Marcos nascido em São Miguel Paulista, Zona Leste da cidade de São Paulo, no mês de seu aniversário ocorrido em 08/11/1945, e que faleceu em 05/4/1992.

Daniela Pires e o ator e músico Alexandre Santo
Sou muito agradecido aos amigos que, desde meus tempos primários, vem me ajudando. Meus momentos primários são aqueles que um dia surgiram no meu caminho ao descobrir que a literatura me auxiliaria em muitas coisas. É verdade que nem tudo é glória, mas se fosse, que sentido teria?

Uma batalha seguida da outra, incessante. Altos e baixos. Parece-me que quando se está no "alto" olha-se para baixa e sente saudades dos amigos que ficaram. Quando se está no "baixo", olha-se para cima e sente saudades daqueles que um fora possível  conhecer... Aí vem aquela pergunta de sempre: "O que fazer para não oscilar na vida toda?" E de repente, como se respondesse a própria pergunta surge algo na mente: "Sem oscilações a vida não teria sentido. Como poderia saber o que sente quem tem ou está em condições diferentes da sua?"  


Com Alexandre Santo
Talvez a conclusão óbvia seja: "o pequeno aprende com o grande e o grande com o pequeno.", eis o motivo da oscilação? Provavelmente sim, mesmo que haja quem diga não. Parece-me que a lógica de uma vida diária não contraria, de forma alguma,a oscilação, altos e baixos, talvez por não ser prejudicial à vida. 

Muito obrigado a todos os amigos e aos que ainda não são. 



 SINOPSE: Por Eduardo Perrone.
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Ana Cristina Martins e a dançarina Paula Martins
O Brasil é formado de “muitos pedaços de um Brasil”, que, segundo creio, tem apenas um lugar comum: Sua gente humilde. E esse Brasil, tão diverso, tem nessa gente a sua síntese mais real, histórica, religiosa e socialmente falando. O Brasil só pode ser contado, com precisão e imparcialidade por essas bocas, que neste livro exclamam: EU TE AMO PAPAI. Iniciando o seu relato, o livro inicia suas narrativas a partir da Sociedade Brasileira, dividida entre a inexata noção do que fora a escravatura, e a completa desorganização Social que a Abolição provocou nas classes sociais brasileiras. 
Ao longo da narrativa, personagens nascem, e se fundem à outros , num processo claro da filosofia que crê nas encarnações presumidas, formando um legado, onde a unidade familiar é a peça-mestra, e que se mantém coesa ao longo do tempo. No ano de 1968, em plena efervescência político-social de um país mergulhado nas trevas da Ditadura, o personagem central nasce. E, as dificuldades das pessoas mais humildes aumentavam exponencialmente, pois o país exigia custos cada vez maiores. 
Julinho Clube
Enquanto isso, nosso personagem crescia, pelas periferias da cidade, pela periferia da sociedade... E cresce, até encontrar o caminho mais cruel do definhamento: As drogas, lícitas e ilícitas.

Logo, uma sucessão de fatos previsíveis tem início, numa espécie de Thriller Tupiniquim, onde furtos, roubos e vários outros ilícitos penais sustentam vícios, necessidades e esperanças. A vida seguia assim, sem rumo. Até que o destino – sempre ele – coloca nosso Quixote de encontro com duas formas de sensibilização humana: A Arte e a Religião. Uma puxando a outra, e ambas puxando-o para si. Uma reorganização pessoal iniciava, mas logo seria derrubada pelas faticidades que fazem, de toda gente humilde, um exemplo dos resultados do Sistema. E novamente o declínio, novamente a sarjeta. Mas... eu falava de gente humilde, não é? E da veracidade que as estórias, passadas de boca em boca, davam à História... Pois então... Nosso personagem se revela, na verdade, uma continuação de personagens pretéritos, que, em renascimentos sucessivos, firma um compromisso pessoal e familiar de sobrevivência e de narrativa. Para ele a morte é, apenas, um momento a ser passado. E o passado...é o presente repaginado...


Julinho Clube



Julinho Clube




Apresentação da dançarina Paula Martins



Apresentação da dançarina Paula Martins

Apresentação da dançarina Paula Martins
Apresentação da dançarina Paula Martins

Paula Martins declamando

Julinho Clube

Julinho Clube

Julinho Clube




O cantor e músico Marcio Lugo

Marcio Lugó


Com Marcio Lugó

Julinho Clube

Julinho Clube

Julinho Clube


Alexandre Santo mostrando seu lado músico

Alexandre Santo

Alexandre Santo

Alexandre Santo
Integrante da apresentação de Alexandre Santo


Alexandre Santo

Com a dançarina Paula Martins

Com Daniela Pires



No apartamento da poetisa Valéria Calegari 



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