segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Sem Editora, escritor vende UM MILHÃO de E-books em cinco meses...

O escritor de 1 milhão de e-books John Locke estaria melhor numa editora? Acho que sim…
PUBLISHNEWS, 29/06/2011
Autopublicação ou publicação tradicional?
A experiência do mais bem sucedido autor autopublicado que conheço, como descrito em seu mais novo livro, defende bastante, mesmo sem querer, a ideia de que autores que querem realmente ganhar dinheiro podem conseguir isso sem uma editora.
Descobri o escritor John Locke há poucos meses, quando estava aprendendo um monte de coisas sobre o mundo da autopublicação com Joe Konrath e Barry Eisler. Comprei um dos seus livros de US$0,99 e adorei. Agora, já li quatro. Ele me conquistou por ser um cruzamento entre o já falecido Jim Thompson e o bem atual Carl Hiaasen. Leitores mais sofisticados do que eu me disseram que seus enredos não são nada originais. Não percebi isso em nenhum dos livros, mas poderia acontecer que editores com mais conhecimento dispensassem seus livros se não houvesse nenhuma prova de apelo comercial.
Locke acabou de publicar um novo livro explicando (e intitulado) How I Sold One Million e-books in Five Months. Ele revela um trabalho de marketing duro, bastante focado, muito sofisticado com um plano claro e a disciplina para segui-lo. Todo autor autopublicado deveria ler, claro. pois esse é o mercado com o qual Locke se identifica. Um de seus princípios centrais é realmente entender para quem um livro está dirigido de forma que o próprio conteúdo e o marketing sejam sempre dirigidos com precisão aos alvos.
Um dos problemas que Locke vê ao trabalhar com editoras é que elas estão sempre querendo ampliar o apelo de um livro, o que, segundo ele, diminui seu apelo entre o nicho central de sua audiência, algo que vê como a chave para a construção de uma marca autoral bem-sucedida. Estou a ponto de reforçar este estereótipo porque é óbvio para mim que ele realmente deixou de identificar uma audiência chave com seu novo livro. Editores e marqueteiros em editoras deveriam lê-lo. Eles têm muito a aprender com as ideias e técnicas de John Locke.
Seu livro vai ajudá-los a tomar melhores decisões editoriais e de marketing. E pode ajudá-los a ganhar mais dinheiro.
Mas se John Locke também está interessado em ganhar mais dinheiro, deveria repensar se publicar seus livros a US$0,99 sem uma editora é realmente a melhor estratégia comercial
Vamos fazer as contas. Locke vendeu 1 milhão de e-books a 99 centavos de dólar cada. Ele ganha 35% da renda, então isso chega a pouco menos de $350.000 (taxas de cartão de crédito são deduzidos do valor bruto). Há alguns custos de produção envolvidos (ele contrata um designer para a capa e é ajudado na formatação de seus livros), então diminuímos outros 10 ou 15 mil. Isso significa que ganha por seus nove romances uma média de uns $35.000 com cada um. Ele não está ganhando, aparentemente, nada com livros impressos e não está tendo nenhuma exposição em livrarias que poderiam estimular ainda mais as vendas online. A US$0,35 por cópia ele está ganhando menos do que os direitos por unidade que receberia de uma editora vendendo seus livros por $2,99, o ponto a partir do qual o pagamento de 70% do valor passa a valer nas lojas que vendem e-books pelo modelo de agência, mesmo se a editora não concordasse com o padrão atual de 25% de direitos. E se os livros custassem $9,99, ele estaria ganhando $1,75 por cópia de uma editora ou umas cinco vezes o que está ganhando agora.
Claro, se o próprio Locke vendesse os livros a $2,99, estaria recebendo seis vezes mais por livro, ao redor de $2,10 por cópia.
Assim que, dessa forma, ele parece estar abrindo mão de muito dinheiro. Sem os esforços de uma editora, ele certamente está deixando de lado muito marketing também. E os livros impressos nas lojas são uma das partes mais importantes disso. Vender até modestos 10.000 exemplares de capa dura daria mais de $20.000 em direitos autorais, ou mais da metade do que conseguiu até agora com cada um de seus livros.
Seria superficial, e acho que até um erro, atribuir o sucesso de Locke principalmente ao preço de seus livros. Na verdade, o próprio Locke fica arrepiado com essa ideia. Ele afirma em seu novo livro "how-to" que muitos autores vendendo por US$0,99 não conseguiram as mesmas vendas que ele. Minimiza o grau em que isso acontece por causa do apelo de sua escrita, e atribui suas vendas mais aos esforços sistemáticos e inteligentes de marketing.
Concordo que esses esforços sistemáticos e inteligentes de marketing são mais importantes do que os 99 centavos (Essa é a ideia central de todo esse post!). Mas não tem nada no que ele faz que não poderia ter sido feito muito melhor por uma editora para apoiar um livro de capa dura vendido a US$20,00 ou mais, sem falar num e-book a US$9,99. Ele venderia uma média de 100.000 exemplares ou mais por título dessa forma?
Ninguém sabe com certeza, mas com o mesmo esforço de sua parte e o marketing adicional, exposição e acessibilidade que ganharia com uma editora, meu palpite é que venderia mais. Eu li quatro dos seus livros com seu principal personagem, Donovan Creed e não estou nem um pouco cansado ainda. Sou cauteloso como todo mundo sobre generalizar a partir da minha própria experiência, mas sei que se o próximo livro custasse 10 dólares em vez de um, isso não me impediria de comprar. Pago dez dólares ou mais na maioria dos livros que leio, assim como muita gente.
Uma das coisas que as livrarias de e-book sabem com certeza, mas que as editoras só podem adivinhar é até que grau os compradores de livros de 99 centavos são um mercado separado daquele formado por compradores de livros com preços de US$9,99 para cima. Muitos acreditam, e eu sou um deles, que são grupos separados de compradores e que pessoas como eu, que compram os dois tipos, são a exceção. Se isso é verdade, haveria algum risco para Locke (e para o editor que o contratasse) se ele decidisse mudar. Poderia não ter o mesmo sucesso com um grupo diferente de clientes e não ser seguido pelo seu grupo atual de leitores.
Mas se os mercados são diferentes, há alguns grandes potenciais de recompensa. Se há pessoas que somente compram livros baratos, também há pessoas que querem escolher livros validados profissionalmente, aqueles das grandes editoras. Quanto mais você acreditar que os mercados são diferentes, maiores oportunidades poderiam haver para Locke usar o que ele fez para se lançar de forma independente como trampolim para uma carreira como autor publicado por uma grande editora.
Amanda Hocking conseguiu sucesso com publicação independente, mas depois assinou com uma grande editora. Barry Eisler tentou deixar as editoras para trás e se autopublicar, mas logo descobriu que o programa de publicação da Amazon - quanto tempo demorará a começarmos a nos referir às Sete Grandes? - na verdade era melhor do que fazer sozinho. Agora fazemos uma conta rápida com a história de Locke e descobrimos que constitui um argumento fraco para os benefícios econômicos da autopublicação.
É importante para todos nós, lembrarmos que ainda estamos num mundo onde a maioria dos livros é vendida impressa, em livrarias, que isso é mais verdade fora dos EUA do que aqui; e que vai permanecer assim fora dos EUA por um pouco mais de tempo do que aqui. Os desafios da era digital para as editoras são bem reais e a opção da autopublicação é muito mais viável do que há uma década; ou até há três anos. Mas ainda existe muita vida no modelo de anos. Me surpreenderia se algumas grandes editoras não estiverem preparando ofertas para o Sr. Locke, que ele seria obrigado a considerar seriamente se seu objetivo for ganhar mais dinheiro com sua escrita do que ganha agora. Se Amanda Hocking pode conseguir US$2 milhões por quatro livros, como podemos achar que John Locke está bem financeiramente conseguindo menos de 20% disso por nove?
O argumento mais persuasivo que posso pensar para a autopublicação é a velocidade para o mercado, principalmente para alguém de fora que ainda nem tem agente. Encontrar um agente demora. Conseguir uma proposta de padrões profissionais demora. A análise das editoras e a negociação de contrato depois da oferta demora. Tudo isso pode levar um ano ou mais; é raro conseguir em seis meses. E depois a editora vai precisar de persuasão para colocá-lo ao mercado em menos de seis meses (Isso não é irracional por parte do editor; maximizar as vendas em livros impressos ainda exige um longo caminho porque o planejamento no mercado de massa exige designar títulos específicos para locais com meses de antecedência. Essa é a realidade do mercado, não uma invenção das editoras).
Acho que autopublicação como caminho para a descoberta por uma editora pode se tornar um novo padrão e, se isso acontecer, as operações de e-book montadas por agências literárias podem acabar sendo vistas sob uma luz diferente.
Minha previsão com Locke é que ele vai acabar recebendo uma oferta irrecusável para criar um novo personagem. A série Donovan Creed e seus faroestes continuarão a ser lançados por US$0,99, mas algo novo será feito da forma convencional. E, a menos que meu palpite esteja muito errado, nos próximos anos, quem publicar da forma convencional vai ganhar muito mais dinheiro do que Locke.
Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Organiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro. Em sua coluna, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era tecnológica. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin