quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXVI



Só me faltam dizer as palavras que não querem que sejam ditas, as palavras que mesmo ditas são duras e não gostam de entrar no ouvido, mas eu vi, eu vejo, e mesmo eu, eu próprio olho para o lado, agora aqui distante penso, quão diferente podia ter sido se eu tivesse escolhido ama-lo. Se não fosse por mais nada, para me salvar a mim Maria, pois também eu preciso ser salvo todos os dias. Fico a imaginar as lágrimas que correram, o quão triste e sisudo ficou o rosto, no seu rosto triste e frio daquele que nos salva, e que no seu rosto eu não reconheci.


A vida às vezes devia parar, alertar-nos, não deixar passar, a vida devia derrubar-nos quando decidimos olhar para o lado e esquecer de também ali devíamos amar, são elos os frutos das nossa erradas escolhas, do assobiar para o lado quando devíamos escolher, e simplesmente deixamos isso para todos os outros que se arrebatam olhando o seu umbigo, amando-se a si próprios acima de todas as coisas.

Escolho, como qualquer um de nós pode escolher nada fazer, partir ou ficar, não fazer nada ou ajudar, ou apenas olhar para o lado, seguindo nas suas vidas miseráveis lamentando-se da sua má sorte. Podia simplesmente ter escolhido ama-lo, e ter-me salvo um pouco mais um dia.

O amor pode ser a maneira ou a forma mais simples de nos encontrarmos em nós próprios e ainda assim desisti de o amar, de me encontrar na humanidade triste desolada sem nada ai deitada naquela rua, pedindo apenas um trabalho, um pouco de comida.

Onde para a minha humanidade, a minha escolha de Amar o próximo, o irmão, se não o amo, como podes acreditar na minha escolha Maria, como posso escolher Amar-te a cada dia, como me posso anunciar como fiel ao Pai, se meramente olho para o lado, onde não me incomoda a miséria humana da falta de amor. 
Hoje não escolhi e falhei, passarei outro dia, reparando a falha de hoje, e sim, amanhã escolherei ama-lo!..