sábado, 3 de outubro de 2015

Poesia & Conto

 Poesia

Lua Vermelha, Lua Ardilosa

Lua vermelha, de sangue colorida...
Lua, ainda assim, minha amiga.
Madrinha de todas as horas.
Mística, mítica lua celta:
És o símbolo, do SAGRADO FEMININO
Lua que move as marés e o destino...
Lua ainda que rubra, como sangue
Tem seu encantamento
Mas, não se iluda, menina bonita:
Lua de sangue, é perigosa!
Tem mistérios, é ardilosa...
Melhor seria, que fosse a Lua azul:
A boa lua, a dos romances...
Embora não se possa mudar o que está escrito no céu.
A Lua brilha, e ainda faz bem, o seu papel...


Fátima Fatuquinha Abreu



 


 A MINHA LENDA DO OUTONO

( Conto mitológico livre)


Ferônia era a deusa grega dos bosques, florestas e fontes. Os romanos lhe atribuíam também, o poder sobre o fogo e vulcões. Os camponeses que a veneravam, erguiam templos perto de lagos termais, onde a água quente era usada como curativa, abençoada pela deusa do calor.

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Certa vez, Ferônia veio dar uma olhada em seu templo, recém erguido pelos iniciados e camponeses da região. Teria de ter uma pira ao centro, era sua exigência. Satisfeita com o que viu, foi então até uma de sua fontes termais para banhar-se, o calor que emanava nesses locais, dava mais força para sua natureza divina  e poderosa...
Despiu-se dos trajes brancos finos e entrou na água. Não percebeu os olhares fixos, de alguns homens humildes que sonhavam em tocá-la.
Glauco, um dos deuses marinhos, veio ter com ela ali. Eles se amavam em segredo.
Se sabia: Deuses tinham tantas virtudes quanto defeitos de caráter, assim como os seres humanos que os veneravam. O ciúme era o principal sentimento de discórdia entre e eles.
Como Ferônia era muito linda e Glauco estava apaixonado pela deusa, se alguém soubesse no Monte Olimpo, seria um sério problema para ambos, visto que eles já tinham seus cônjuges...

Hécuba, a deusa da fertilidade, passava por perto e viu os dois amantes dentro das águas termais fazendo amor... Sem pestanejar, pois esse era o momento certo para usar de seus poderes, ela  enviou um jato luminoso sobre o casal, realizando assim,  a profecia de Heleno (seu filho e de Príamo):

" Quando o calor gerado pela deusa, tocar o corpo frio, de um deus marinho, novo ser surgirá "

Estava feito: Ferônia geraria então um novo ser, um deus como os pais, mas com as características de ambos: O calor e o frio. No que daria essa mistura? Um deus que seria chamado de Outono, semelhante ao clima dessa estação, nem fria tampouco quente.

Fátima Abreu Fatuquinha