quarta-feira, 12 de outubro de 2016

NÓ DE MARINHEIRO* - E outros 'nós'... REPUBLICADO

https://www.youtube.com/watch?v=Rovldv67Q1Y

PARA OUVIR  MINHA POESIA MUSICADA PELO AMIGO ANAND RAO:
(clique no link acima)



FÁTIMA ABREU- Fatuquinha: LAR, POESIA, CONTOS E AMIZADE: Nó de Marinheiro:  

Não há rosas sem espinhos,
Tampouco amores sem carinhos.

Não há início sem meio e final.
Equilíbrio para tudo:
Se o Bem somente existisse, o CÉU era aqui.
Se o Mal brotasse só, seria o umbral.

Não existe somente fel:
Há na natureza, também o mel.

Não há só desilusão:
Existem momentos de amor e cumplicidade.
Não há frio sem cobertor.
Não há verão sem calor.

Não há você sem mim
Perderia o norte.
Eu, sem você, calmaria enfim...
Porém, é essa necessidade mútua que nos enlaça:
de marinheiro.Junta e amarra. 
Rosa e azul.


Vê a diferença?
Para uns, um escudo protetor.
Para outros, voo alçado  para longe...
Para nós, o complemento.

Quem de nós estaria certo:
Os que precisam ou os que querem ser precisados?
Assim vamos levando...
No passar da década.
Será que a gente se acerta?

Fátima Abreu Fatuquinha


*Poesia baseada nas frases do filme: 'Náufrago'

                                                   "É como o fogo: pode nos destruir, ou aquecer."

E a lição: O TEMPO NOS SALVA, OU NOS MATA:

                                                                "O tempo nos controla sem piedade, não liga se estamos doentes, com fome, com sede, se somos russos, brasileiros ou seres de Marte."



 


 Queria  Dizer

 A palavra não vocalizada, sufocada na garganta.

que aperta
como gravata de homem.

Queria dizer
ainda nesse tempo que tenho a lucidez da mente

Queria dizer, entretanto, me pergunto:
Quem quer me ouvir?

Todos estão com pressa,
fechando os ouvidos para aquilo que é alheio.

Esquecendo que um dia o caçador, transforma-se em caça...
O mundo dá voltas!

Mas há quem esqueça disso...
É quando, no último suspiro de vida,

Olha-se para trás, e a pergunta vem em lábios trêmulos:
Por que não fiz isso?

Fátima Abreu Fatuquinha


 

DOMI

Uma dor toma conta de mim.
Não tenho planos futuros, nada que faça melhorar, minha atual situação.
Que me dê certo bem estar e não perturbe meu sono.

Tenho receio do amanhã:
Pago meus pecados agora.
Mas, cada 'migalha amassada' de mim,
Eu sempre aceitei com resignação.


Um nó na garganta afeta
Corrói, e nada se pode fazer:
Mãos atadas.

O pior poderia acontecer,
Se eu me movesse agora.

Presa estou, num momento parado no tempo...
Cria de minha culpa.
Um local de onde não consigo sair.

Um dominó, reação em cadeia...
Dor surda, mas não muda.
Escrevo.
Nenhuma peça cai.

Fátima Fatuquinha Abreu





SEDE



SENTIA SEDE, UMA DIFERENTE.

DAQUELAS QUE NÃO ERA SÓ BEBER  ÁGUA E PASSARIA.

ERA COMO UM SECO NA GARGANTA



UMA VONTADE DE FALAR, MAS ENCERRAVA O SOM,

PERDIA-SE AS PALAVRAS.

SEDE, DE ALGUMA TRISTEZA, TALVEZ...



OU AINDA, PODER DIZER E NÃO CONSEGUIR,

COISAS, QUE SÓ O CORAÇÃO SABE...

SEDE MALDOSA, INVADE.



MAS, QUAL SERIA A SEDE DE QUEM LÊ O POEMA AGORA?

NÃO PODERIA ADIVINHAR.

SEI QUE CADA SER HUMANO, GUARDA SEGREDOS DENTRO DO SEU BAÚ, NA MENTE...



TALVEZ TERRÍVEIS OU ESQUISITOS, MAS, PODEM SER PLÁCIDOS E APAIXONANTES TAMBÉM...

SEGREDOS DAS SEDES

QUE TODOS NO MUNDO, TEM.



FÁTIMA  ABREU FATUQUINHA

As Rosas & o Café- republicado





Tenho um gosto agridoce outra vez
Rosas não adiantam mais:
Perdem o odor, murcham...

Lábios ressecam
Passo a língua por eles,
Na esperança de umedecê-los.
O açúcar endurece no fundo da xícara.
Jogo mais um pouco de café,
Mexo e remexo com a colher.

O biscoito de nata, disposto ao lado do pires, me 'encara'...
Será comido ou não?
A dor que não deixa ter fome, está de frente
O tal na garganta, novamente...

Penso e repenso a vida:
Escolhas, assuntos sem resolução,
Papéis esquecidos, amarelados
Escondidos de outros, embaixo do colchão...

As rosas não adiantam mais.
Apenas o café me conforta:
Mantém meu corpo e mentes aquecidos.
Não deixa que me torne distante...
Segura meu pensamento, foca-o.

Pois se assim não for,
Vou e não sei se volto...
Esse é meu grande medo:
Será que minha mente,
Que me prega peças de vez em quando,
Deixará um dia penetrar, com a velhice
A insanidade?

Tenho medo da loucura,
Do que ela significa:
De perder o meu maior dom,
A escrita...

Fátima Abreu Fatuquinha




Diferente do resto, aqui vai agora, um 'NÓ' EM PROSA:

DIVÃ VIRTUAL

Crônica

Ah, meu Deus! Como as pessoas enxergam os problemas dos outros segundo os seus olhos!
Não se colocam no lugar do outro, para tentar entender os porquês...
Nunca julgo ninguém. Cada um sabe de si.
Principalmente porque não somos perfeitos!
Se fôssemos, (canso de dizer isso aqui) não encarnaríamos mais nesse orbe terrestre...

Se vê as coisas somente pela sua ótica, nunca entenderá a ótica dos outros.
Coloque-se no lugar. Experimente!


Passei anos e anos (como todo mundo que não nasce com o bumbum para a LUA) por problemas de toda ordem:
Desde financeiros, emocionais até de saúde.
Meus dois filhos mais velhos tem uma boa diferença de idade para minha caçula: 
Quando ela nasceu, eles já eram adolescentes.
Eles não sabem uma verdade(segredo) que até hoje, está bem guardado. Apenas a minha caçula sabe.
Dessas atribulações de vida, incluo ameaças psicológicas, perigos que passei, culpas que tive que assumir pelos outros (para não criar problemas ainda maiores), engoli 1001 "sapos" e presenciei cenas que nunca gostaria de ter visto.

Hoje em dia, a vida mudou em parte.
Os problemas são outros, embora alguns continuem até piores, como os de saúde e financeiros.
Agora me digam: Quem pode me julgar?
Tudo que aguentei passar foi pelo bem estar da família que construí com o casamento.
Até deixando para trás, eu mesma.
Não sou mártir. Mas, tenho esse espírito de entrega total a uma causa.




Uma pessoa pode se dar até ao luxo de errar. Porque errar faz parte do aprendizado na escola da vida.
Não, meus queridos, ninguém tem direito de achar errado nada que outrem faça.
Pois quando achamos que outros estão loucos com suas escolhas  e atitudes, é porque lá no fundinho, queríamos ter a coragem deles.
Além do que como disse em outro texto:

O sofrimento faz parte da evolução espiritual, e é a forma de tentar consertar alguma deficiência moral da alma.
Aprende-se pelo amor e também pela dor.

 Ah,  totalmente diferente do que pregam algumas religiões, que fazem para chamar os fiéis, a propaganda: "PARE DE SOFRER", eu penso segundo meu ponto de vista espiritualista:

O sofrimento muitas vezes é o bálsamo das almas. Porque esperam ficar libertas de seus carmas, missões e resgates, através dele.

E sabemos: Aqui se faz, aqui se paga. Essa é a lei do Retorno.
Ele pagou com a doença.

No meu caso, pago vivendo com as tribulações.
Sou conformada com tudo que Deus me enviou até hoje.
Se me acham louca por dizer isso, é porque se enquadram na 'normose' geral.
Sou diferente, me chamem de complicada. Enxergo as coisas por outro prisma.
E nesse ponto, tenho que agradecer, porque sei que isso me tornará uma alma revigorada, cumprindo com êxito meus carmas e missões propostos muito antes de eu nascer.
Não é à toa, que nasci laçada... A vida é um nó que se desata aos poucos.

Fátima Abreu Fatuquinha